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Estado de Minas

Restos do ditador espanhol Franco serão exumados até 25 de outubro


postado em 11/10/2019 18:55

O governo espanhol anunciou nesta sexta-feira (11) que até 25 de outubro exumará os restos mortais do ditador Francisco Franco do mausoléu onde jaz, para realocá-los em uma cripta privada discreta, onde não possa ser enaltecido.

"Em 25 de outubro, os restos mortais de Franco não estarão no Vale dos Caídos", disse a jornalistas a vice-presidente do governo socialista cessante, Carmen Calvo.

O general de origem galega, vencedor da guerra civil de 1936-1939 e que esteve à frente do país até sua morte, em 1975, está enterrado desde então no Vale dos Caídos, um enorme mausoléu católico localizado cerca de 50 km a noroeste de Madri, visitado a cada ano por milhares de turistas e por alguns nostálgicos que continuam enaltecendo sua figura publicamente.

Os restos, anunciou o governo anteriormente, serão realocados em uma cripta privada do cemitério de Mingorrubio-El Pardo, ao norte de Madri, onde estão os restos da esposa do ditador, Carmen Polo.

Carmen Calvo defendeu a medida - "o ditador não pode estar em uma tumba do Estado"-, e disse que a operação será realizada com "a maior discrição e respeito possíveis".

A família e a imprensa serão avisados 48 horas antes, e o traslado dos restos poderia ser feito em helicóptero, embora o governo ainda não tenha decidido.

A exumação ocorrerá a poucos dias das eleições legislativas de 10 de novembro, nas quais o PSOE espera ganhar e poder formar governo.

O Supremo Tribunal espanhol aprovou em 24 de setembro a exumação de Franco, depois de uma disputa judicial entre o governo do social-democrata Pedro Sánchez e os descendentes do ditador.

A medida tem uma grande carga ideológica, em um país em que o 'fantasma' de Franco se tornou ultimamente uma arma de arremesso, entre os partidários da exumação e os que a veem com desdém - caso do conservador Partido Popular - ou com aberta hostilidade, no caso do partido de extrema direita Vox.

É "uma grande conquista", e significa "fechar com dignidade" o que "não era digno, 40 anos depois", afirmou Carmen Calvo nesta sexta.


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