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Estado de Minas

Países da UE examinam plano sobre imigrantes socorridos no Mediterrâneo


postado em 08/10/2019 20:49

França, Alemanha, Itália e Malta tentaram adicionar, nesta terça-feira, outros países a seu plano para distribuir os emigrantes socorridos no Mediterrâneo, que continua encontrando resistência na União Europeia (UE), um dia depois de outro naufrágio mortal.

Em 23 de setembro, esses quatro países estabeleceram as bases de uma distribuição automática de migrantes resgatados no Mediterrâneo, um mecanismo temporário de seis meses prorrogáveis à espera de uma reforma global do sistema de asilo, que apresentaram nesta terça a seus sócios.

"Pudemos ampliar o número de países que estão dispostos a (...) apoiar estas rápidas realocações", afirmou a ministra francesa de Assuntos Europeus, Amélie de Montchalin, após o encontro, falando de uma "dezena" de países.

Tanto o ministro espanhol do Interior, Fernando Grande-Marlaska, como seu par luxemburguês, Jean Asselborn, reduziram a cifra a "três" países adicionais da UE: Luxemburgo, Irlanda e Portugal.

A reunião em Luxemburgo foi precedida por um novo naufrágio mortal de uma embarcação em frente à costa de Lampedusa, no qual morreram 13 mulheres, algumas delas grávidas, e dezenas despareceram, aumentado a pressão sobre a UE.

"Escutem, não podemos continuar assim, com o que está acontecendo no Mediterrâneo", afirmou o comissário europeu para Migrações, Dimitris Avramopoulos, defendendo que seja encontrado um "mecanismo permanente" e não soluções caso a caso.

O objetivo da Declaração de Malta é precisamente evitar as tensas negociações a cada chegada de embarcações, sobretudo de ONGs, com migrantes socorridos a bordo, para os quais o anterior governo italiano fechou os portos.

O novo governo, desde setembro, sem a Liga do ultradireitista Matteo Salvini, reabriu os portos, mas continua pedindo solidariedade a seus sócios para enfrentar a chegada de migrantes através do Mediterrâneo central.

A proposta se concentra em revogar temporariamente o atual regulamento de Dublin, que obriga os países de entrada dos migrantes no bloco a administrar uma solicitação de asilo, um princípio criticado pelos países mediterrâneos.

No entanto, o plano também gera dúvidas em países como Espanha ou Grécia, já que na prática se concentra nos resgates em alto-mar, em sua maioria só possíveis na zona situada entre os litorais da Itália e da Líbia.

A Espanha expressou seu "apoio" a este "projeto piloto" importante que poderia ser ampliado no futuro a todo o Mediterrâneo, mas disse que não participará porque já "resgata um número significativo de migrantes", afirmou o ministro.

No outro extremo do Mediterrâneo, Grécia, Bulgária e Chipre fizeram um chamado a mais "solidariedade" de seus sócios para distribuir a "carga migratória" de forma mais justa.


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