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Estado de Minas

Lam recebe críticas na tentativa de diálogo com população de Hong Kong


postado em 26/09/2019 14:07

A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, recebeu duras críticas durante uma reunião pública nesta quinta-feira, na qual tentou restabelecer o contato com a população local, depois de meses de manifestações de pró-democracia.

Essa "sessão de diálogo" representou a primeira tentativa da líder de Hong Kong de se encontrar com seus críticos após quase quatro meses de manifestações semanais.

A ex-colônia britânica está passando por sua crise mais séria desde que voltou para o poder de Pequim em 1997, com ações quase diárias para denunciar a perda de liberdades e a crescente interferência chinesa.

Durante o ato de quinta-feira, Lam negou as críticas de que a reunião se tratava de uma estratégia de comunicação e disse que estava lá para ouvir a população após a queda acentuada da confiança em relação ao seu governo.

Mais de 20.000 residentes de Hong Kong pediram para participar da reunião, que durou duas horas em um ginásio no bairro de Wanchai.

Segundo as autoridades, os 150 participantes foram escolhidos por sorteio e foram convidados a deixar na entrada qualquer objeto associado às manifestações, como guarda-chuvas, capacetes, máscaras ou cartazes.

As perguntas dos participantes foram escolhidas aleatoriamente e, comparada às manifestações tensas, a atmosfera foi bastante cordial.

Milhares de manifestantes protestaram do lado de fora do ginásio de Wanchai.

Após a conclusão do ato, um grupo de policiais tentou formar um corredor entre os manifestantes concentrados do lado de fora, e Lam teve dificuldade em deixar o local.

- "Todo mundo perdeu a confiança" -

Alguns dos participantes demonstraram simpatia a Lam, mas a maioria das intervenções foi crítica à ação de seu governo e solicitando uma investigação sobre a violência policial.

"A polícia se tornou uma ferramenta do governo e agora não há meios de controlar os abusos policiais", disse uma mulher, com o rosto coberto por uma máscara médica.

"Todo mundo perdeu a confiança na polícia", disse outro participante.

Lam também foi criticada pelo público por deixar para as forças de segurança um problema que deveria ser resolvido politicamente.

"Você diz que quer ouvir as pessoas, mas as pessoas expressaram suas demandas há três meses", reclamou um homem.

Dos 30 participantes que intervieram durante o evento, 24 criticaram o governo, dois adotaram uma posição neutra e quatro expressaram simpatia pela ação do executivo. No entanto, não se sabe se a líder de Hong Kong pode apresentar novas soluções para satisfazer as demandas dos manifestantes.

A mobilização começou em junho em oposição a um projeto de lei que planejava autorizar extradições para a China continental.

Embora o governo local tenha renunciado a essa medida no início de setembro, os manifestantes pró-democracia continuaram com os protestos e denunciaram principalmente o recuo das liberdades e a crescente interferência de Pequim nos assuntos da região, ao não exigir verdadeiras eleições livres.


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