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Estado de Minas

Guy Laroche celebra prostituição de luxo dos anos 1970 na passarela parisiense


postado em 25/09/2019 18:31

Em uma época em que "já não se pode dizer nada", a marca Guy Laroche celebrou nesta quarta-feira (25) a prostituição de luxo, ao consagrar sua coleção à cafetina francesa Madame Claude nos anos 1970, durante a Semana de Moda de Paris.

O terceiro dia dos desfiles de prêt-à-porter primavera-verão foi marcado também pelo aparecimento inesperado do estilista Christian Lacroix, que assinou uma coleção junto com o belga Dries Van Noten após uma década de ausência das passarelas.

"Me pareceu interessante mencionar todos esses meninos e meninas que trabalham com seu corpo, que muitas vezes são desacreditados, e falar sobretudo de uma época de liberdade", disse à AFP o diretor artístico da marca Guy Laroche, Richard René.

O estilista defendeu a marca que fez o figurino do filme "Madame Claude", uma homenagem à cafetina que gerenciava uma rede de prostituição e sedução para milionários e dignatários.

"Não se deve misturar as coisas: o #MeToo é sobre pessoas que são obrigadas, é uma agressão sexual, aqui falamos de pessoas que decidem vender seu corpo, é uma escolha livre", diz. "Nada a ver com a época atual, em que não podemos dizer nada nem fazer nada".

Madame Claude "faz parte da história. Ofereceu a essas meninas o mundo do luxo, não as colocou nas calçadas", disse o estilista, que apresentou uma coleção com predomínio de looks justos e botas de salto alto.

Com uma moda cada vez mais unissex, em que o conforto e a elegância são mais importantes do que ser sexy, as declarações de René ecoam as que o estilista Anthony Vaccarello, diretor artístico da Saint Laurent, fez no final de semana na imprensa francesa.

Atualmente é "impossível ter uma opinião contrária à opinião geral (...) Me dizem 'é muito curto, é muito transparente'. Odeio esse novo puritanismo que julga tudo", disse Vaccarello ao Journal du Dimanche. Sua marca é alvo de críticas por sua publicidade, considerada sexista.

Após abandonar a Alta Costura em 2009 para se dedicar ao figurino de teatro e das óperas, o francês Christian Lacroix voltou de surpresa para a Semana de Moda para apresentar uma coleção inspirada no universo do filme "Barry Lyndon", em que trabalhou por cinco meses junto a Dries Van Noten, o rei das estampas.

O estilista belga buscava exuberância, volume e leveza. "E rapidamente me dei conta de que todos os caminhos levavam ao trabalho e ao universo de Christian Lacroix".


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