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Estado de Minas

Mais de 20.000 inscrições para expressar descontentamento em Hong Kong


postado em 24/09/2019 06:55

A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou nesta terça-feira que mais de 20.000 pessoas pediram para participar de um diálogo que ela propõe para "expressar sua raiva", mais de três meses após o início de uma mobilização pró-democracia.

A ex-colônia britânica atravessa a pior crise política desde sua devolução à Pequim em 1997, com manifestações e ações quase diárias denunciando o declínio das liberdades ou exigindo reformas democráticas.

Lam, que concentra o descontentamento dos manifestantes por sua intransigência, propôs recentemente pela primeira vez um diálogo com a população.

Ela disse nesta terça-feira que a reunião marcada para quinta-feira à noite seria uma oportunidade para a população local fazer sua voz ser ouvida. Mas muitos manifestantes recusaram essa oferta de diálogo, apontando para uma possível armadilha e explicando que suas reivindicações já eram conhecidas.

"Prometemos que participantes de diferentes origens e antecedentes, com diferentes posições políticas, poderiam expressar livremente suas opiniões, e até expressar sua raiva", declarou ela em entrevista coletiva.

Se milhares de pessoas pediram para participar desse diálogo, apenas 150 serão escolhidas aleatoriamente para participar de uma sessão de duas horas com Lam. Eles terão que ir sem nenhum dos objetos emblemáticos da contestação, sejam guarda-chuvas, capacetes ou máscaras de gás.

"Espero que o diálogo com a população seja realizado em uma atmosfera pacífica, racional e calma", pediu Lam.

Os protestos em Hong Kong muitas vezes degeneraram em confrontos violentos entre manifestantes radicais e policiais. Mais de 1.500 manifestantes foram presos, o mais novo deles de 12 anos.

Lam declarou que as imagens de crianças presas partia seu coração.

"O que as crianças entendem nos debates políticos atuais?", perguntou ela. "Peço aos pais, professores e diretores que deixem as crianças saberem que os problemas políticos não são tão simples assim".

Seus comentários foram criticados por políticos da oposição.

"Não devemos subestimar a juventude", disse Claudia Mo, deputada pró-democracia do Conselho Legislativo, o parlamento local. "Muitos jovens hoje são muito maduros e sabem o que pensam e o que uma sociedade civilizada deve ser".

A mobilização nasceu da rejeição a um projeto de lei que autorizaria as extradições para a China continental, e que está atualmente suspenso. As reivindicações aumentaram consideravelmente, inclusive solicitando uma investigação independente sobre o que é apresentado como atos de brutalidade policial.

A polícia nega qualquer uso excessivo da força, e recebeu novamente o apoio de Lam.

"O fato é que em três meses não houve mortes em Hong Kong, o que, de acordo com os padrões internacionais (...), é relativamente notável", disse ela.


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