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Estado de Minas PARAGUAI

Rejeitado pedido de impeachment


postado em 21/08/2019 04:00

Rejeitado pedido de impeachment(foto: NORBERTO DUARTE/AFP)
Rejeitado pedido de impeachment (foto: NORBERTO DUARTE/AFP)

 
 
A Câmara dos Deputados do Paraguai arquivou ontem, por 43 votos a 36, a abertura de um processo de impeachment contra o presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, e o vice, Hugo Velázquez. Ambos corriam risco de cassação, já que tiveram questionada a responsabilidade por escândalo em torno de uma polêmica renegociação com o Brasil sobre compra de energia da usina hidrelétrica de Itaipu, o que levaria os paraguaios pagarem valores considerados lesivos ao país.
 
Para se manter, o Abdo conseguiu obter apoio de todo o Partido Colorado, grupo dividido que inclui a ala governista, principalmente depois que o acordo foi cancelado oficialmente. Em maio, texto assinado pelos governos de Brasil e Paraguai firmaram acordo que, na prática, na prática, faria os vizinhos desembolsar mais dinheiro pela energia da hidrelétrica. Pelas cláusulas, haveria aumento da previsão de compra da chamada energia garantida (mais cara), reduzindo o consumo da excedente, que é mais barata.
 
Com a revelação dos termos, a crise levou o chanceler paraguaio, Luis Alberto Castiglioni, também presidente de Itaipu e outros dois funcionários de alto escalão a renunciarem. Ao mesmo tempo, a oposição paraguaia acusou o presidente Abdo de favorecer interesses brasileiros, apontou traição por considerar o acordo lesivo aos interesses do país e entrou com um pedido de impeachment na Câmara dos Deputados.
 
Havia inclinação para que a cassação fosse aceita, mas Brasil e Paraguai confirmaram o cancelamento do acordo sobre a compra de energia em 1º de agosto. O pedido de impeachment foi apresentado em 6 de agosto pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), o principal da oposição.
 
O processo só avançaria se a oposição reunisse 53 votos dos 80 deputados. O resultado já era esperado. Abdo Benítez conseguiu o apoio de dissidentes do Partido Colorado, liderados pelo ex-presidente Horacio Cartes, para blindá-lo da ação da oposição.
 
Sem os votos do Honor Colorado, a dissidência do Partido Colorado comandada por Cartes, a oposição não tinha os votos necessários para fazer os processos de impeachment contra Abdo Benítez e Velázquez avançarem. Conservador, o presidente paraguaio recebeu apoio público do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que concordou com o cancelamento do acordo que levou à crise política.


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