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Estado de Minas

Gibraltar se recusa a reter petroleiro iraniano a pedido dos EUA


postado em 18/08/2019 13:52

O governo do território britânico de Gibraltar rejeitou, neste domingo (18), um pedido dos Estados Unidos para reter o petroleiro iraniano que se prepara para deixar suas águas territoriais, explicando que as sanções americanas não são aplicáveis na União Europeia (UE).

Com isso, o cargueiro continua livre para partir de Gibraltar. Teve seu nome alterado de "Grace 1" para "Adrian Darya" e trocou sua bandeira panamenha, com a qual estava navegando, pela iraniana.

"O navio navegará hoje à noite (domingo)", tuitou o embaixador iraniano na Grã-Bretanha, Hamid Baeidinejad.

Uma parte da tripulação, incluindo o capitão, deve ser substituída, já que os Estados Unidos ameaçaram recusar vistos para "membros da tripulação que navios que ajudem os Guardiães Revolucionários a transportar petróleo do Irã".

As autoridades de Gibraltar capturaram em 4 de julho o navio-tanque "Grace 1", suspeitando de que ele estivesse transportando petróleo bruto para a Síria, um país atualmente sob embargo da UE.

Na última quinta-feira, o cargueiro foi autorizado a ir embora, depois de Teerã ter garantido que sua carga de 2,1 milhões de barris de petróleo bruto não será levada para a Síria.

Nesse meio-tempo, os Estados Unidos entraram com várias ações judiciais para que o navio-tanque fosse imobilizado, e o Departamento de Justiça emitiu uma ordem de confisco baseada nas sanções americanas contra o Irã.

Em nota, a Justiça de Gibraltar alegou que "o regime de sanções da União Europeia contra o Irã é muito menos abrangente do que o dos Estados Unidos".

Além disso, a norma europeia "proíbe especificamente a aplicação de certas leis dos EUA", como sanções ao Irã, acrescentou o comunicado.

Os Estados Unidos tentaram pela primeira vez em 15 de agosto persuadir Gibraltar a manter o petroleiro, enviando um pedido de assistência judicial quando fosse libertado.

Gibraltar explicou ter respondido aos EUA, naquele mesmo dia, que "era impossível atender à demanda" com base nas informações fornecidas por Washington.

Ao contrário dos Estados Unidos, a União Europeia não considera os Guardiães da Revolução uma organização terrorista e não aplica as mesmas sanções que Washington, completou a Justiça de Gibraltar.

Em 2018, o presidente americano, Donald Trump, retirou os Estados Unidos do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, negociado por seu antecessor Barack Obama com Irã, França, Rússia, Grã-Bretanha, China e Alemanha.

Os europeus tentam convencer o Irã a continuar a respeitar o acordo, tentando limitar o impacto das sanções dos EUA contra todas as empresas que negociam com o Irã, independentemente de sua nacionalidade.


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