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Estado de Minas

Mercosul impulsiona ratificação de acordo comercial com UE


postado em 16/07/2019 22:14

Um entusiasmado Mercosul abriu nesta terça-feira sua cúpula semestral decidido a ratificar o quanto antes seu ambicioso acordo comercial com a União Europeia e a atualizar-se para competir melhor e em mais mercados.

"Antes ninguém casava com o Mercosul. Agora todos lhe pedem em casamento", disse o chanceler da Argentina, Jorge Faurie, que há duas semanas chorou de alegria quando fechou o acordo com Bruxelas.

O Mercosul quer mais acordos comerciais e está próximo de fechar, no próximo mês, um com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

No ano que vem haverá pactos comerciais com Canadá e Coreia do Sul, afirmou Faurie.

Segundo o chanceler, o Mercosul conta ainda com uma ferramenta muito útil para estreitar as relações com a Aliança do Pacífico, integrada por Chile, Colômbia, México e Peru, que já têm acordos bilaterais com a UE.

Os chanceleres e responsáveis econômicos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai prepararam documentos e declarações que serão examinados na quarta-feira pelos presidentes do Bloco.

A cúpula fará andar acordos que beneficiarão a população do bloco, disse Faurie, citando a eliminação de tarifas de roaming para chamadas internacionais de telefones celulares, e convênios sobre questões familiares e de saúde.

Um tema espinhoso que estará sobre a mesa será a crise da Venezuela, país afastado do Bloco em 2017 por violar as normas de respeito à democracia e os compromissos comerciais assumidos.

"Preparamos uma declaração à qual aderirão os países do Mercosul e outros membros associados de que na Venezuela há uma completa flagrância da falta de democracia", declarou Faurie.

Horacio Reyser, secretário das Relações Econômicas Internacionais da Argentina, disse que um grupo revisará a Tarifa Externa Comum (TEC) "a fim de dar competitividade a nossas economias".

A TEC é "altíssima e afeta a competitividade", avaliou Faurie.

O Mercosul revisará também a faculdade de impedir acordos bilaterais de qualquer um de seus sócios com terceiros.

"O poder de veto é negativo", disse Reyser a jornalistas.

- De Macri a Bolsonaro -

Na cúpula de Santa Fé, o presidente argentino Mauricio Macri passará a presidência semestral do bloco para Jair Bolsonaro.

Antes do acordo com a UE, Bolsonaro havia advertido que romperia com o Mercosul caso o bloco continuasse em estado de letargia.

"Foi quebrado o feitiço pelo o qual o Mercosul não conseguia acordos", disse o negociador do Brasil, Pedro da Costa e Silva.

O acordo UE-Mercosul pode abrir um mercado de 780 milhões de consumidores, que representará um quarto do PIB mundial.

O grande tema a ser discutido agora é a sua entrada em vigor. Segundo funcionários do governo de Argentina e Uruguai, o Mercosul buscará a aplicação provisória, quando o Parlamento Europeu aprovar.

O acordo precisa da ratificação prévia do Parlamento Europeu e de seus 28 países mais a dos quatro sul-americanos.

A ratificação é um tema delicado, porque pode ficar à mercê de vai e vens políticos nos dois lados do Atlântico.

Em outubro haverá eleições no Uruguai e na Argentina, enquanto na Europa o acordo reavivou a hostilidade dos produtores agrícolas e de grupos ambientalistas.

Na Argentina o acordo ficou exposto à campanha eleitoral. O candidato opositor Alberto Fernández, que tem como companheira de chapa Cristina Kirchner, disse que o tratado precisa de reparos.

Fernández considera que Macri quer aproveitar o acordo para compensar o descrédito gerado pela recessão econômica.

- Mais acordos -

O Mercosul quer mais acordos comerciais e diz estar perto de fechar outro com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), integrada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. A esse se seguiriam no ano que vem acordos com o Canadá e com a Coreia do Sul.

Macri e Bolsonaro afirmaram na semana passada que poderiam buscar um com os Estados Unidos, mas isso não é vislumbrado no curto prazo.

"No futuro estará na agenda do Mercosul ver com os Estados Unidos a possibilidade de melhorar o aumento do comércio", disse Reyser.

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