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Estado de Minas

EUA teriam lançado ataques cibernéticos contra o Irã


postado em 23/06/2019 12:26

Estados Unidos, que preparam novas sanções contra o Irã, realizaram durante a semana ataques cibernéticos contra sistemas de lançamento de mísseis e uma rede de espionagem do Irã, após a destruição por Teerã de um drone americano, segundo informou a imprensa americana neste fim de semana.

Apesar de Donald Trump ter cancelado em cima da hora os bombardeios que havia programado contra o Irã, John Bolton, assessor de segurança nacional do presidente americano, alertou o Irã neste domingo para que não confunda a "prudência" de seu país com "fraqueza".

"Nem o Irã nem qualquer outro ator hostil deve confundir prudência e discrição dos EUA com fraqueza", disse Bolton antes de se reunir em Jerusalém com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Já o emissário americano para o Irã, Brian Hook, pediu a "todos os países que convençam Teerã a aliviar a tensão".

Em uma entrevista coletiva, o diplomata disse que os Estados Unidos "não têm interesse em um confronto militar com o Irã, e reforçamos nosso dispositivo na região (do Golfo) apenas por razões defensivas".

Trump, por sua vez, anunciou no sábado que haverá novas e importantes sanções contra Teerã.

O Irã não hesitou em advertir que qualquer ataque contra seu território terá consequências devastadoras para os interesses dosEstados Unidos na região.

Neste contexto, a imprensa americana informou que Trump autorizou de forma secreta represálias contra os sistemas de defesa iranianos por meios cibernéticos, conforme afirmaram o Yahoo! News e "Washington Post".

Segundo este último, um dos ataques teve como alvo computadores que controlam os lançamentos de mísseis e foguetes. O outro, segundo o Yahoo! News, visou a uma rede de espionagem iraniana reponsável por vigiar a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz.

O Washington Post afirma que os ataques cibernéticos, planejados há várias semanas, teriam sido inicialmente propostos pelos militares americanos, em resposta a ataques contra navios petroleiros no Estreito de Ormuz em meados do mês, nos quais Teerã negou participação.

Procurada pela AFP, o Pentágono não quis comentar o assunto.

Em 2010, Teerã acusou os Estados Unidos e Israel de criarem, em plena crise envolvendo o programa nuclear iraniano, o poderoso vírus Stuxnet, com o qual infectaram milhares de computadores iranianos e bloquearam centrífugas usadas no enriquecimento de urânio.

A agência de notícias iraniana Fars, próxima aos conservadores, disse neste domingo que Teerã ainda não reagiu às informações da imprensa norte-americana.

"Não está claro se os ataques foram realizados ou não", afirma a Fars, sugerindo que essa informação dos Estados Unidos poderia ser um "blefe destinado à opinião pública para melhorar a imagem da Casa Branca" após a destruição do drone.

- Incidente anterior -

Por outro lado, o Irã informou neste domingo sobre um incidente anterior referente a "um drone espião americano" que teria invadido seu espaço aéreo no final de maio.

Em uma mensagem postada no Twitter, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohamad Javad Zarif, disse que se tratou de um aparelho "MQ9" (código do drone de vigilância e ataque americao Predator B) e que o incidente ocorreu em 26 de maio.

Zarif publicou em seu tuíte um "mapa itinerário do drone espião MQ9 na data de 26 de maio de 2019".

O mapa oferece uma lista precisa da evolução de um dispositivo naquele dia entre 19h12 e 9 segundos e 22H52 e 7 segundos, sem especificar o fuso horário.

De acordo com o mapa, a aeronave entrou no espaço aéreo iraniano, localizado acima das águas territoriais do país, na costa de Asaluyeh, uma cidade portuária no sul do Irã, às 20h29 e partiu entre 21h21 e 21h29, após receber um aviso do Irã por volta das 20h30.

Sempre de acordo com o gráfico, o aparelho recebeu mais dois "avisos" entre 21h31 e 21h33, quando se aproximou bastante da fronteira marítima iraniana.

As tensões entre os dois países não param de aumentar desde a retirada americana, em maio de 2018, do acordo internacional sobre a energia nuclear do Irã, seguida pela reintrodução das sanções contra o Irã.

Apesar de repetirem que não querem uma guerra, a escalada e os vários incidentes no Golfo fazem temer um confronto direto entre Estados Unidos e Irã.


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