Publicidade

Estado de Minas

Bachelet visita uma Venezuela devastada pela crise


postado em 19/06/2019 19:13

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, chegou nesta quarta-feira (19) à Venezuela para uma visita de três dias, durante os quais se espera que ela avalie a crise no país petroleiro.

Bachelet "já se encontra na #Venezuela e dará declarações a jornalistas nesta sexta-feira, 21 de junho, no aeroporto de Caracas", tuitou o serviço de notícias da ONU.

Durante sua estadia, a alta comissária se reunirá com o presidente Nicolás Maduro e com o opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por meia centena de países. A agenda completa de Bachelet no país ainda não foi divulgada.

A diplomata chegou à Venezuela a convite de Maduro, sob cujo governo - iniciado em 2013 - a ex-potência petroleira mergulhou na pior recessão de sua história moderna.

Segundo a ONU, desde 2015 quatro milhões de venezuelanos deixaram o país por causa da crise, marcada pela escassez de itens de primeira necessidade, uma hiperinflação que o FMI projeta em 10.000.000% para 2019, o colapso do sistema de saúde e falhas nos serviços públicos.

A visitante não fugirá da queda de braço entre Maduro e Guaidó, líder do Parlamento, que se autoproclamou presidente interino há cinco meses.

Maduro reivindica que Bachelet se aproxime dele, enquanto Guaidó, que disse que se reunirá com a comissária na sexta-feira, afirma que sua presença é um "reconhecimento da catástrofe" que vive o país com as maiores reservas petroleiras do mundo.

Bachelet também tem previsto se encontrar com "vítimas de abusos e violações dos direitos humanos".

Por ocasião de sua visita, ONGs convocaram mobilizações para a sexta-feira para denunciar a situação. "Vamos às ruas na sexta-feira", disse Guaidó nesta quarta.

A visita poderia "dar mais visibilidade à crise" e motivar a União Europeia a "aumentar a pressão" contra Maduro, disse à AFP o internacionalista Mariano de Alba.

- País em estado crítico -

A ex-presidente chilena chega a um país cuja economia encolheu à metade entre 2013 e 2018, e onde a produção de petróleo perdeu dois milhões de barris diários na última década, segundo cifras oficiais.

Uma situação que levou um quarto da população, o equivalente a sete milhões de pessoas, a precisar de ajuda urgente, segundo um relatório da ONU.

Estima-se que 22% dos menores de cinco anos sofram desnutrição crônica e 300.000 pacientes estejam em risco por falta de tratamentos e medicamentos, acrescenta este estudo.

"Estamos pedindo a Michelle Bachelet que veja o que está acontecendo no nosso país. (...) Não é uma mentira", disse Pedro Amado, porta-voz de um grupo de ex-petroleiros em greve há três semanas para reivindicar o recebimento de seu pagamento.

Bachelet, que prepara um relatório sobre a Venezuela, denunciou a "criminalização do protesto".

No começo deste ano, por ocasião de manifestações, ela fez denúncias sobre "o uso excessivo da força, os assassinatos, as prisões arbitrárias e torturas" por parte de organismos de segurança.

Parentes de presos políticos (693, segundo a ONG Fórum Penal) pedem que ela interceda por sua liberdade. Maduro nega a existência de "presos políticos".

O Parlamento, único poder nas mãos da oposição, pediu na terça-feira que Bachelet estabeleça um escritório permanente na Venezuela.

- Medo de sanções -

A Alta Comissária é crítica às sanções de Donald Trump para asfixiar Maduro, apoiado pelos militares, Rússia e China.

Teme que a proibição de comercializar petróleo venezuelano nos Estados Unidos repercuta nos "direitos básicos e no bem-estar da população" em um país onde o petróleo financia 96% do orçamento.

Maduro afirma que o bloqueio dificulta a importação de alimentos, remédios e insumos hospitalares, e em abril autorizou a entrada de ajuda da Cruz Vermelha.

Bachelet "ratificará seu ceticismo ante as sanções, mas também refletirá situações que vão deixar Maduro em uma posição pior", estima De Alba.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade