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Estado de Minas

Sequência de 'O Iluminado' e o desafio de conciliar o escritor com o cinema


postado em 14/06/2019 17:49

Quase 40 anos depois de "O Iluminado", os corredores salpicados de sangue do hotel Overlook continuam aparecendo nos pesadelos de gerações de fãs do cinema de terror.

A obra-prima de thriller psicológico de Stanley Kubrick, uma adaptação do romance de Stephen King, marcou um antes e depois no gênero.

Mas Mike Flanagan, o diretor de "Doutor Sono", continuação da obra de terror de Kubrick, e também adaptada de um romance de King publicado em 2013, teve que enfrentar um drama muito diferente.

O diretor se viu obrigado a conciliar as visões dos dois gigantes criativos, já que King odiava a adaptação cinematográfica de Kubrick, falecido em 1999, pelas liberdades que este último havia tomado com seu argumento e seus protagonistas.

"Isso foi aterrador", disse Flanagan. Para ele, conseguir ter a bênção de King marcou "o momento mais angustiante" de sua carreira.

"A esperança era gerar algum universo no qual Stephen King e Stanley Kubrick pudessem amar este filme", disse a jornalistas em uma apresentação do trailer de "Doutor Sono" em Los Angeles, que estreará em 30 de outubro.

A tentativa de atingir esse objetivo "foi a fonte de todas as úlceras que tivemos nos últimos dois anos", afirmou.

O trailer contém várias imagens familiares para os espectadores do filme de Kubrick, incluindo um jovem Danny Torrance que pedala em seu triciclo pelos corredores do hotel, e a palavra "Redrum", "Assassinato" em inglês, escrita ao contrário em uma parede.

O produtor Trevor Macy disse que cada cena icônica havia sido recriada com minucioso cuidado dos detalhes, embora o momento mais recordado - quando se abre a porta de um elevador e se derrama uma cascata de sangue - foi tomado diretamente da obra de Kubrick.

O trailer tem um final inquietante, com Ewan McGregor, que interpreta Dan adulto, quatro décadas depois, olhando através do enorme buraco em uma porta cortada com um machado, que devolve o espectador às cenas de Nicholson.

- "Atmosfera sufocante" -

Os cineastas disseram que haviam assegurado a bênção de King para fazer uma versão fiel de seu livro, que ainda poderia existir no "universo cinematográfico" de Kubrick.

Mas o projeto se tornou mais difícil porque King, ao escrever a sequência, "ignorou ativa e intencionalmente tudo que Kubrick havia mudado", incluindo alguns dos personagens assassinados no filme, explicou Flanagan.

Um novo personagem é Abra, uma jovem que possui uma versão ainda mais forte dos mágicos poderes "resplandecentes" de Dan.

Escolher a protagonista implicou ver 900 meninas, para finalmente selecionar Kyliegh Curran para seu primeiro grande papel, superando estrelas infantis mais experientes.

Abra e Dan se unem para enfrentar vilões sobrenaturais que se deleitam com aqueles com poderes, o que obriga Dan a enfrentar seus demônios internos que surgem de sua estada no Overlook em uma vida anterior.

O filme, assim como seu antecessor, tem como objetivo assustar os espectadores criando tensão e uma "atmosfera sufocante", em vez de simplesmente assustá-los com os habituais efeitos de "sobressaltos", disse Flanagan.

"Tomamos muitas das lições de Kubrick sobre como fazer um thriller psicológico", disse, acrescentando que o filme é "ferozmente protetor" do texto de King.

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