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Estado de Minas

Protestos contra lei de extradição podem afastar empresários de Hong Kong


postado em 14/06/2019 10:25

Hong Kong tem sido tradicionalmente uma porta de entrada para a economia da China continental, mas os recentes protestos contra uma lei de extradição podem afastar os empresários instalados neste território chinês.

Há vários meses, um projeto de lei que autoriza as extradições para a China continental provocou grandes manifestações em Hong Kong e até mesmo distúrbios com a polícia, os mais graves desde a devolução para Pequim, em 1997, desta antiga colônia britânica.

Muitos temem que o governo chinês use a lei para perseguir opositores políticos, mas também estrangeiros neste território semiautônomo.

Os empresários apreciam particularmente a estabilidade de Hong Kong, graças a seu sistema legal herdado dos britânicos.

"Hong Kong é uma joia (...) a mais bela cidade da China, onde não há medo de que a polícia te incomode", disse à AFP o presidente francês de uma sociedade de investimento.

Como outros empresários entrevistados pela AFP, o francês prefere não se identificar por se tratar de uma questão delicada.

Segundo ele, a força de Hong Kong está "na aplicação da lei e do Estado de direito. Você não vai para a cadeia por nenhuma razão, ninguém vai fechar o seu negócio sem razão e sem que você possa se defender em um tribunal".

Hong Kong começou a crescer economicamente no final do século passado para se tornar uma gigante das finanças e a porta de entrada para a China continental, a segunda maior economia do planeta.

Agora, porém, de acordo com a presidente da Câmara de Comércio dos EUA no território, Tara Joseph, "a credibilidade de Hong Kong está em jogo".

Os Estados Unidos acreditam que o texto possa "prejudicar o ambiente econômico de Hong Kong e sujeitar nossos cidadãos (...) aos caprichos do sistema judiciário da China".

No mesmo sentido, a União Europeia teme que a lei de extradição tenha "consideráveis consequências potenciais para (...) a confiança das empresas em Hong Kong".

- Opacidade -

Os opositores temem a opacidade da Justiça chinesa, onde a taxa de condenação é próxima de 100%, segundo estatísticas oficiais.

Os tribunais chineses são considerados sob as ordens do Partido Comunista e acusados de servirem para silenciar os opositores.

Muitos em Hong Kong estão preocupados com a recente prisão de dois canadenses na China, que ocorreu depois que uma diretora da Huawei foi presa no Canadá.

Lembra-se ainda do caso, há alguns anos, de vários editores de livros críticos ao governo de Pequim, que desapareceram misteriosamente de Hong Kong. Depois, o grupo apareceu na China continental.

"Eu me estabeleci em Hong Kong precisamente porque não queria morar na China", disse à AFP um arquiteto estrangeiro que trabalha em todo mundo.

"Se Hong Kong se tornar uma cidade chinesa como as outras, não há razão para ficar", completou.

Já uma americana sócia de um fundo de gestão acredita em que, se a lei for adotada, Hong Kong passará a ser apenas uma parte da China. "As pessoas poderão querer vir por três, ou cinco anos, mas será que vão querer criar raízes, se houver riscos políticos?", aponta.

De acordo com as autoridades, o projeto de lei quer impedir que Hong Kong se torne um refúgio para criminosos e, embora alguns crimes de natureza econômica tenham sido retirados do projeto, esse setor continua preocupado.

Este é o caso de banqueiros e contadores, que temem ser processados por cumplicidade no caso de crimes cometidos por seus clientes, em um país onde "as penas por fraude financeira são severas", disse Victor C.K. Wai, um banqueiro e contador aposentado, falando para o "South China Morning Post".

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