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Estado de Minas

EUA adverte na ONU para 'clara ameaça' do Irã após ataques a petroleiros


postado em 14/06/2019 02:01

Os Estados Unidos pediram nesta quinta-feira ao Conselho de Segurança da ONU que enfrente a "clara ameaça" representada pelo Irã, após Washington acusar Teerã de estar por trás do ataque contra dois navios petroleiros no Golfo de Omã.

O Conselho se reuniu para escutar o embaixador americano Jonathan Cohen, que apresentou um relatório sobre a responsabilidade do Irã nos ataques contra os dois petroleiros.

Os ataques desta quinta-feira ocorrem um mês depois de outro incidente similar, contra quatro petroleiros diante da costa dos Emirados Árabes Unidos, e "demonstram a clara ameaça que o Irã representa para a paz e a segurança internacionais", disse Cohen.

"Pedi ao Conselho de Segurança que se mantenha atento ao assunto e espero que tenhamos mais conversas sobre como agir nos próximos dias".

A posição de Washington não foi compartilhada por outros membros do Conselho, que não veem evidência clara para vincular o Irã aos ataques, destacaram fontes diplomáticas.

O embaixador do Kuwait, Mansour Al Otaibi, revelou que membros do Conselho condenaram a violência e muitos pediram uma investigação para determinar os fatos.

"Gostaríamos de saber quem está por trás deste incidente".

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, declarou que a "avaliação dos Estados Unidos é que a República Islâmica do Irã é responsável pelos ataques".

Pompeo citou os serviços de "inteligência, as armas utilizadas, o nível de experiência necessário para a execução da operação, os recentes ataques iranianos similares contra o transporte marítimo" e o fato de nenhum grupo aliado do Irã que opera na área "ter os recursos e a capacidade para atuar com tal grau de sofisticação".

O porta-voz da chancelaria iraniana qualificou as acusações de Washington de "infundadas" e afirmou que o Irã foi "em auxílio" dos navios em dificuldades, "salvando" sua tripulação.

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Ali Khamenei, já havia declarado no Twitter que "a palavra suspeito não era suficiente para descrever o que aparentemente se desprende" destes "ataques" contra "petroleiros com destino ao Japão" no exato momento em que o premier japonês, Shinzo Abe, visita o Irã.

Mais cedo, secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques aos petroleiros de Noruega e Singapura, durante uma reunião do Conselho de Segurança sobre cooperação entre o organismo internacional e a Liga Árabe.

"Condeno todo ataque a navios civis", disse o chefe da ONU, que pediu uma investigação dos fatos ao mesmo tempo em que advertiu que o mundo não pode suportar um conflito de grandes proporções no Golfo.

Depois da intervenção de Guterres, o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, denunciou perante o Conselho de Segurança "uma evolução perigosa" no Oriente Médio.

"O ataque aos petroleiros e os ataques com um míssil no coração da Arábia Saudita, como vimos há dois dias, são acontecimentos perigosos e deveriam levar o Conselho de Segurança a agir contra os responsáveis por manter a segurança e a estabilidade na região", disse.

O chefe da Liga Árabe disse, sem detalhar, que "algumas partes da região estão tentando reacender o fogo" e que "deve-se levá-lo em conta".

A República Islâmica nega qualquer participação nos fatos.

- Ataque no Golfo de Omã -

Os dois petroleiros foram evacuados nesta quinta-feira depois que enviaram sinais de socorro, o que provocou a disparada dos preços do petróleo.

De acordo com a versão iraniana, os dois petroleiros se envolveram em um acidente e a Marinha do país resgatou 44 pessoas.

Já a Quina Frota dos EUA anunciou que "as forças navais americanas na região receberam dois pedidos de socorro distintos, às 06h12 locais e às 07h00 locais".

As autoridades da Noruega informaram que o petroleiro "Front Altair", que pertence ao grupo norueguês Frontline, foi "atacado" e aconteceram três explosões a bordo, que não deixaram feridos.

Um ataque na mesma zona teria atingido outro petroleiro, o "Kokuka Courageous", informou a Direção Norueguesa de Assuntos Marítimos em um comunicado.

Após o incidente, anunciado por um serviço de informações sobre a Marinha mercante administrado pela Royal Navy britânica, as cotações do petróleo chegaram a subir 4%.

"Reino Unido e seus sócios estão investigando", afirmou a United Kingdom Marine Trade Operations (UKMTO), sem revelar detalhes.

O Golfo de Omã fica próximo ao estratégico Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial por ondem transitam quase 15 milhões de barris de petróleo e centenas de milhões de dólares em outras mercadorias.

A agência de notícias S&P-Platts; informou que o "Front Altair", construído em 2016 e com bandeira das Ilhas Marshall, pegou fogo e sua tripulação teve que ser retirada.

No dia 12 de maio quatro petroleiros - dois sauditas, um norueguês e um dos Emirados - foram atingidos por ataques ainda não explicados no Golfo de Omã, perto da costa dos Emirados Árabes Unidos.

O governo dos Estados Unidos afirmou que o ataque foi provocado "quase com toda certeza" por minas navais iranianas.

O governo dos Emirados anunciou na semana passada que os primeiros resultados de uma investigação realizada por cinco países e entregue à ONU aponta a possibilidade de que um Estado estava por trás das bombas, mas indicou que não há provas de que seria o Irã.


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