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Estado de Minas

Nova técnica de edição genética evita mutações involuntárias


postado em 12/06/2019 19:55

Pesquisadores anunciaram nesta quarta-feira que encontraram uma nova técnica de edição genética que não "corta" o DNA, o que evita o aparecimento de mutações indesejadas no genoma, um problema dos métodos utilizados até agora.

Esta nova tecnologia "funciona mais como um cola molecular que como tesouras moleculares", apelido da técnica atual, resume a equipe científica, em um comunicado da Universidade de Columbia (Nova York).

Desenvolvida desde 2012 e agora utilizada em milhares de laboratórios de pesquisa do mundo todo, a técnica Crispr-Cas9 revolucionou a edição genética.

Permite modificar com rapidez e precisão uma parte do genoma - por exemplo, para eliminar um gene que sofreu mutação portador de uma doença ou para fazer com que uma planta seja mais resistente -, como se corrigiria um erro em um texto.

Este método consiste em cortar o DNA no lugar preciso mediante uma enzima, daí seu nome de "tesouras moleculares". Depois recorre aos mecanismos de autorreparação da célula, que "cola" os filamentos de DNA, às vezes segundo uma sequência de DNA sintética sem anomalia fornecida pelos pesquisadores.

Mas este processo de reparação pode levar a erros, criando mudanças involuntárias no genoma.

O novo sistema, descrito em um artigo publicado na revista Nature, procede de outra forma, destaca seu principal autor, Samuel Sternberg.

Este bioquímico e sua equipe exploraram as propriedades dos "transposons" ou "genes saltadores", fragmentos de DNA capazes de se mover ou se copiar de um lugar para outro nos cromossomos.

Estes genes "possuem todas as propriedades químicas necessárias para se inserir diretamente (...) sem ruptura de dois filamentos de DNA", explicou o cientista à AFP.

Este sistema abre o caminho para a intervenção sobre alguns tipos de células, como os neurônios, onde as tesouras moleculares não funcionam bem, ou para a edição do genoma de comunidades complexas de bactérias, como a microbiota intestinal, acrescenta.

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