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Estado de Minas

Premiê do Japão visita Teerã para reduzir tensão Irã-EUA


postado em 12/06/2019 09:55

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, chegou nesta quarta-feira (12), em Teerã, para uma visita inédita de pouco mais de 24 horas, com o objetivo de reduzir a tensão entre Irã e Estados Unidos.

Abe chegou ao aeroporto de Meharabad, no centro de Teerã, pouco antes das 14h (6h30 de Brasília).

Primeiro chefe de governo do Japão a visitar o Irã desde a Revolução de 1979, Abe se reunirá ainda hoje com o presidente iraniano, Hassan Rohani, e, na quinta-feira, com o Guia Supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

O chefe de governo japonês pediu uma "troca franca de pontos de vista" com os dois líderes.

O Japão é um aliado-chave dos Estados Unidos, rival do Irã. Ao mesmo tempo, Tóquio mantém uma boa relação com Teerã.

"Em um contexto de preocupação com as crescentes tensões no Oriente Médio que chamam a atenção da comunidade internacional, o Japão espera fazer o melhor possível para a paz e a estabilidade na região", disse Abe à imprensa antes da viagem.

Segundo uma fonte do Ministério japonês das Relações Exteriores, a viagem de Abe se destina, primeiramente, a "fazer baixar as tensões" entre Irã e Estados Unidos e "consolidar a amizade" entre os dois países. O objetivo é mostrar a disposição do Japão "para contribuir para a paz no Oriente Médio".

A visita coincide com o aumento da tensão entre Teerã e Washington. Em maio de 2018, o presidente americano, Donald Trump, retirou os EUA do acordo sobre o programa nuclear iraniano de 2015, o que provocou novas sanções econômicas ao Irã.

Washington também reforçou a presença militar no Golfo e pressionou países aliados, como o Japão, a interromperem a compra de petróleo iraniano.

O porta-voz do governo japonês informou que Abe conversou com Trump por telefone na terça-feira. Uma das questões abordadas foi a situação no Irã.

Fontes nipônicas explicaram, no entanto, que Abe não vai desembarcar em Teerã com uma lista de demandas, ou com uma mensagem de Washington. Do lado iraniano, Rohani disse hoje que o Irã apresentaria a Abe a mensagem de que "o principal culpado é a América".

O porta-voz do governo iraniano, Ali Rabii, declarou que a visita de Abe acontece no "âmbito da relação tradicional e antiga entre os dois países".

O Japão é bem-visto por Teerã, uma vez que conseguiu se modernizar sem renunciar às suas tradições e conservando uma forte identidade cultural.

Abe também utilizará esta viagem para fazer valer os interesses de seu país. Antes do restabelecimento das sanções americanas, o Japão importava cerca de 5% de seu petróleo bruto do Irã.

A visita oferece ainda uma rara ocasião ao líder japonês de desempenhar um papel importante no cenário internacional, após várias decepções neste campo.

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