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Estado de Minas

Naufrágio entre Venezuela e Curaçao deixa 30 migrantes desaparecidos


postado em 11/06/2019 18:43

Ao menos 30 imigrantes venezuelanos estão desaparecidos após o naufrágio de um barco em que partiram clandestinamente rumo a Curaçao, denunciou nessa terça-feira (11) um parlamentar da oposição.

O barco partiu na última sexta-feira de Agüide, pequeno povoado no estado de Falcón (noroeste), disse em entrevista à AFP o deputado Luis Stefanelli, citando testemunhos de familiares. O número total de ocupantes, disse o deputado, estaria entre 30 e 35 pessoas.

"Ninguém entrou em contato com suas famílias, o que nos faz temer o pior", disse Stefanelli.

As autoridades não confirmaram essas informações.

O corpo de um homem com colete salva-vidas foi encontrado na baía de Bullenbaai, em Curaçao, segundo um comunicado da Guarda Costeira publicado pela imprensa da ilha caribenha; mas não está claro se era uma das pessoas a bordo do barco que saiu da Venezuela.

Esse é o terceiro naufrágio de imigrantes venezuelanos desde abril, com total de cerca de 80 desaparecidos, os dois últimos com destino a Trinidad e Tobago.

Outro deputado da oposição, Robert Alcalá, denunciou em 19 de maio que um bote que zarpou de Güiria para Trinidad e Tobago, Estado de Sucre (nordeste) afundou em alto mar com 29 ocupantes.

O próprio Alcalá, em 25 de abril, disse que outra embarcação com a mesma rota teria desaparecido com 33 tripulantes. Nove passageiros foram resgatados com vida.

"São pessoas desesperadas, que vendem todas as suas coisas e vão embora com uma mão na frente e outra atrás", disse Stefanelli em entrevista à AFP, referindo-se à nova tragédia.

O congressista disse que, segundo os familiares, os imigrantes pagaram 400 dólares cada um pela viagem, em um país em que o salário mínimo é de apenas 6,5 dólares por mês.

Castigados pela crise econômica, com inflação prevista de 10.000.000% pelo FMI e escassez de bens básicos, aproximadamente 3,3 milhões de venezuelanos fugiram do país desde janeiro de 2016 de acordo com a ONU.

O chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, acusou a Agência da ONU para os Refugiados (Acnur) de "inflar números".

No entorno da saída de embarcações clandestinas de Venezuela há denúncias de máfias de contrabando de ouro e combustível, praticamente gratuito no país, e tráfico de pessoas.


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