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Estado de Minas

Moscou e Pequim exibem proximidade em grande fórum russo dos negócios


postado em 07/06/2019 08:30

Em plena guerra comercial com os Estados Unidos, o presidente chinês Xi Jinping foi recebido nesta sexta-feira com todas as honras no principal fórum russo dos negócios, onde os dois países exibem estreita relações econômicas contra Washington.

O presidente chinês, que chegou na quarta-feira na Rússia, já teve uma recepção pródiga no Kremlin, onde chamou seu colega russo, Vladimir Putin, de "melhor amigo", antes de acompanhá-lo ao zoológico de Moscou para visitar dois pandas emprestados pela China.

Xi Jinping falará, ao lado de Putin e do secretário Geral da ONU Antonio Guterres, na sessão plenária do fórum econômico de São Petersburgo, no noroeste da Rússia.

"O fórum de 2019 ilustra claramente o quanto o mundo tornou-se bipolar: na mesma semana, o presidente (americano Donald) Trump tomou chá com a rainha em Londres, e o presidente Putin recebeu o presidente Xi em São Petersburgo", destaca Chris Weafer, fundador da Macro Advisory.

A relação econômica entre estes dois grandes vizinhos - muito desequilibrada em favor da China - não parou de avançar nos últimos anos, no mesmo ritmo da degradação das relações entre a Rússia e o Ocidente, especialmente com os Estados Unidos.

A aproximação entre Moscou e Pequim - que completam 70 anos de relações diplomáticas - foi reforçada após as medidas adotadas pelos Estados Unidos contra os dois países, na forma de sanções ou guerra comercial.

- Comércio recorde -

A União Europeia continua a ser o principal investidor na Rússia, à frente dos Estados Unidos e da China.

Mas em plena tensão entre a Rússia e o Ocidente, o comércio entre Moscou e Pequim aumentou 25% em 2018, para alcançar o recorde de US$ 100 bilhões, segundo o Kremlin.

A Rússia tem grande necessidade de atrair investimentos, como Putin lembrou na quinta-feira, especialmente em um contexto de desaceleração econômica no início do ano e de uma perda de popularidade do presidente russo.

No início de seu quarto mandato, no ano passado, Putin anunciou ambiciosos "projetos nacionais" de várias centenas de bilhões de euros, que é necessário financiar, e isso em um clima de negócios complicado.

Na quarta-feira no Kremlin vários acordos comerciais foram assinados, incluindo um muito simbólico em que encarrega a gigante chinesa das telecomunicações Huawei - acusada de espionagem pelos Estados Unidos - pelo desenvolvimento da rede 5G na Rússia com o operador local MTS.

"A China leva muito tempo para abrir o fluxo de investimentos, quer se sentir segura a longo prazo, não quer se apressar", diz Charles Robertson, economista-chefe da Renaissance Capital.

Este especialista, no entanto, espera "grandes investimentos chineses na Rússia" nos próximos anos, especialmente no âmbito das Novas Rota da Seda, um gigantesco projeto econômico de Pequim.

Entre os principais projetos que ligam Moscou e Pequim incluem o gasoduto Power of Siberia, graças a uma aliança dos gigantes russo Gazprom e chinês CNPC, e que permitirá que o gás russo seja entregue à China a partir de novembro de 2019.

O CNPC e o Silk Road Fund detêm 29,9% (contra 20% da francesa Total) do projeto de gás natural líquido Yamal LNG, do russo Novatek, na Sibéria.

No entanto, "as assimetrias (entre os dois países) estão presentes em todas as áreas, mas são particularmente visíveis no setor econômico", observa um relatório publicado em maio de 2019 pelo Instituto de Estudos Políticos Internacionais do ISPI, em Milão.

"O PIB da Rússia não é maior do que o da província chinesa de Guangdong, e seus gastos com defesa são um terço dos da China", segundo este documento. "Não é difícil saber quem domina esse relacionamento."

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