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Estado de Minas

Rússia se diz pronta a não prolongar tratado nuclear START com os EUA


postado em 06/06/2019 09:52

O presidente russo Vladimir Putin ameaçou, nesta quinta-feira, deixar expirar em 2021 o importante tratado de controle de armas nucleares estratégicas START com os Estados Unidos, se os americanos não manifestarem vontade em prolongá-lo.

"Se ninguém quiser prolongar o acordo START, então nós não o faremos (...) Já dissemos 100 vezes que estamos prontos para isso", declarou Putin durante um encontro com os chefes de grupos de mídia, à margem do Fórum Econômico de São Petersburgo (noroeste).

"Até o presente momento, pessoa nenhuma negocia conosco. O processo de discussões formais não foi lançado, enquanto o acordo expira em 2021", acrescentou Putin.

Este tratado bilateral de redução de armas estratégicas, cuja terceira versão batizada "New START" foi assinada em 2010, mantém os arsenais nucleares russo e americano bem abaixo daqueles da Guerra Fria.

Ele termina em 2021, coincidindo com um período de grandes tensões entre as duas maiores potências nucleares do mundo.

Se o tratado expirar sem a adoção de uma nova versão, "não haverá nenhum outro instrumento limitando a corrida armamentista, com por exemplo o envio de armas para o espaço", acrescentou o presidente russo, que advertiu que "acima das cabeças de cada um de nós haverá armas nucleares".

"Nós desenvolvemos novos sistemas capazes de garantir a segurança da Rússia por um período relativamente longo", afirmou Putin, assegurando ainda que o seu país "já ultrapassou os seus concorrentes em termos de criação e desenvolvimento de sistemas hipersônicos".

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, havia estimado em abril que a China deveria integrar o próximo tratado START, do qual são signatários atualmente apenas Moscou e Washington.

A Rússia e os Estados Unidos já suspenderam este ano sua participação no tratado de desarmamento nuclear INF, relativo às armas de alcance intermediário, assinado durante a Guerra Fria.

Washington acusa Moscou de ter violado os dispositivos do tratado ao desenvolver um novo sistema de mísseis deste tipo.

Em represália, Putin suspendeu oficialmente no início de março a participação de seu país no INF. O texto crucial abolia o uso por Washington e Moscou de mísseis terra-terra com alcance de entre 500 e 5.500 km.

Neste contexto, o presidente russo ordenou o desenvolvimento de novos tipos de mísseis terrestres nos dois próximos anos e ameaçou no final de fevereiro em um discurso perante o Parlamento criar novas armas "invencíveis" para visar os "centros de tomada de decisões" nos países ocidentais.


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