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Estado de Minas

China e Rússia bloqueiam ação da ONU sobre Sudão


postado em 04/06/2019 23:30

A China bloqueou nesta terça-feira, com o apoio da Rússia, os esforços do Conselho de Segurança da ONU para condenar o assassinato de civis no Sudão e emitir um apelo urgente das potências pelo fim imediato da violência naquele país.

Durante reunião do Conselho, Reino Unido e Alemanha fizeram circular um comunicado no qual pediam às autoridades sudanesas e aos manifestantes que trabalhassem "juntos para alcançar uma solução de consenso para a atual crise".

Mas a China rejeitou o texto e a Rússia insistiu em que o Conselho deveria esperar uma posição da União Africana de Nações, revelaram diplomatas.

O embaixador russo, Dmitry Polyanskiy, qualificou o comunicado de "desequilibrado" e destacou a necessidade de se ter "muita cautela nesta situação".

"Não queremos promover uma declaração desequilibrada. Poderia simplesmente arruinar a situação", disse Polyanskiy aos jornalistas no final da reunião.

Diante da falta de acordo no Conselho, oito países europeus emitiram uma declaração conjunta condenando "os ataques violentos no Sudão por parte dos serviços de segurança sudaneses contra civis".

Bélgica, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Polônia, Holanda e Suécia avaliaram que o "anúncio unilateral do Conselho Militar suspendendo as negociações, nomeando um governo e convocando eleições para um período demasiado curto é uma grande preocupação".

"Pedimos uma transferência de poder para um governo liderado por civis, como exige o povo do Sudão".

O Conselho de Segurança se reuniu a portas fechadas após as autoridades militares de Cartum anunciarem um plano para realizar eleições, depois de uma sangrenta repressão na qual morreram 40 pessoas.

Alemanha e Reino Unido solicitaram a reunião em meio ao alerta internacional pela violência desatada em Cartum, onde as forças de segurança dispersaram protestos contra o governo militar, realizados há semanas.

O Conselho Militar de Transição (CMT) destituiu o veterano presidente Omar al Bashir em abril, após meses de protestos contra seu regime autoritário, e acordou um período de transição de três anos - criticado pelos manifestantes por ser extenso demais - a uma administração civil.

Mas o general Abdel Fatah al Burhan anunciou nesta terça-feira que o plano tinha sido abandonado e que as eleições seriam realizadas sob "supervisão regional e internacional" em um prazo de nove meses.


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