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Estado de Minas

'Epidemia significativa' de quedas afeta idosos nos EUA, diz estudo


postado em 04/06/2019 18:22

Subir em um banco, ir ao banheiro de madrugada ou sair sem a bengala: cada vez mais pessoas idosas caem, e o risco de morrer após uma queda dobrou entre os maiores de 75 anos nos Estados Unidos desde 2000, segundo um estudo publicado nesta terça-feira (4).

As cifras confirmam uma tendência observada também na Europa. Nos Estados Unidos, entre 2000 e 2016, o número total de falecimentos de maiores de 75 anos causados por estas quedas triplicou (de 8.613 a 25.189 pessoas).

É certo que a população idosa aumentou, mas mesmo tendo isso em conta a taxa de mortalidade para cada grupo etário de mais de 75 anos dobrou em homens e mulheres, segundo o estudo publicado pelo Journal of the American Medical Association (JAMA).

"Quase uma em cada três pessoas maiores de 65 anos cai por ano", diz o médico Marco Pahor, diretor do Instituto do Envelhecimento da Universidade da Flórida, em um editorial. "Cair é um evento potencialmente catastrófico e fatal para os idosos".

Além do risco de morte por um traumatismo craniano ou uma hemorragia, se ocorre fratura de quadril, joelho ou tornozelo, o evento pode marcar o início de um círculo vicioso: hospitalização, perda de independência, reabilitação em um centro, e seus consequentes e duradouros efeitos sobre a saúde mental.

Uma de cada cinco pessoas que quebra o quadril não volta a caminhar nunca, segundo Atul Gawande, médico e autor do livro "Being Mortal".

Nos hospitais dos Estados Unidos, os gastos relacionados com as quedas estão entre as principais categorias.

"As quedas representam uma epidemia cada vez mais significativa entre as pessoas idosas", afirma Pahor à AFP.

- Menos comprimidos -

Na Holanda e Espanha, onde as quedas foram estudadas recentemente com a mesma metodologia, a tendência é similar desde 2000. Na França, estas são consideradas um "importante problema de saúde pública".

As razões do aumento ainda não foram suficientemente estudadas. Mas os geriatras têm algumas hipóteses.

É possível que as pessoas idosas de hoje sejam mais ativas que as de antes. O aumento da obesidade também pode incidir, porque enfraquece os músculos.

Mas, sobretudo, os médicos constatam que a medicina moderna melhorou o tratamento das doenças crônicas, porém não se interessou pela qualidade de vida das pessoas da chamada "terceira idade".

É o que aponta George Taler, geriatra que administra o programa de visitas domiciliares do hospital MedStar em Washington.

Um de seus métodos favoritos para reduzir o risco de quedas é simples: "reduzir a prescrição". Os estudos demonstraram que a partir de quatro medicamentos por dia, a desorientação e perda de equilíbrio aumentam significativamente.

"Somos muito bons em escrever receitas de medicamentos, mas muito menos quando se trata de eliminá-los, mesmo quando já deixaram de ser úteis", afirmou Taler à AFP.

O médico põe como exemplo uma de suas pacientes que teve inchaço nos tornozelos. Em vez de receitar um diurético diário, que poderia desidratá-la, disse a ela que o tomasse apenas quando fosse realmente necessário, quando os tornozelos estivessem inchados.

Além disso, segue existindo a opção do exercício físico, cuja efetividade é demonstrada por outro estudo publicado pela JAMA.

Neste experimento realizado na Flórida, com cerca de 300 septuagenários, os pesquisadores testaram o programa de reabilitação Otago: cerca de 15 exercícios para os joelhos, tornozelos, quadris e para melhorar o equilíbrio, realizados três vezes por semana, junto com 30 minutos de caminhada duas vezes por semana.

Os participantes que seguiram o programa caíram menos durante o período de estudo que um grupo de controle.

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