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Estado de Minas

Silêncio e segurança em Pequim no 30ª aniversário da repressão da Praça da Paz Celestial


postado em 04/06/2019 09:17

O doloroso silêncio, uma grande operação de segurança, detenção de ativistas e censura na internet marcaram nesta terça-feira os 30 anos da repressão violenta na Praça da Paz Celestial (Tiananmen) em Pequim.

Em um dia cinza e nublado, a polícia verificava documentos de identidade de cada turista e cada passageiro que saía da estação de metrô nas proximidades da Praça, onde uma grande manifestação foi dispersada brutalmente com o uso de tanques e soldados em 4 de junho de 1989.

O esquema de segurança dificultou a entrada de jornalistas estrangeiros na praça, enquanto os policiais repetiam que não era permitido tirar fotografias.

Um cinegrafista da AFP que tentou entrar na praça foi obrigado a sair do local. "Precisa de uma autorização especial", afirmou um guarda.

- Pequim responde Pompeo -

O porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Geng Shuang, criticou as declarações do secretário de Estado americano Mike Pompeo sobre a Praça da Paz Celestial.

"Esses delírios lunáticos e disparates vão acabar na lata de lixo da história", disse o porta-voz.

"A declaração do secretário de Estado Pompeo ataca maliciosamente o sistema político chinês, denigre a situação dos direitos humanos e assuntos religiosos na China, critica gratuitamente a política da China em Xinjiang e interfere gravemente nos assuntos internos da China", afirmou Geng.

Pompeo homenageou na segunda-feira "os heróis do povo chinês que se levantaram bravamente há 30 anos na Praça da Paz Celestial para exigir seus direitos".

"Durante as décadas seguintes, os Estados Unidos esperaram que a integração da China ao sistema internacional levasse a uma sociedade mais aberta e tolerante. Essas esperanças se viram frustradas", disse Pompeo.

"O Estado chinês de partido único não tolera nenhuma dissidência e viola os direitos humanos", completou, em um momento de grande tensão política e comercial entre os dois países.

A União Europeia (UE) pediu a "libertação imediata dos defensores dos direitos humanos e dos advogados condenados pelos acontecimentos" de Tiananmen.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, lamentou o "silêncio das autoridades chinesas sobre os acontecimentos e a falta de informação sobre o número exato de mortos e detidos em 4 de junho".

O canal público CCTV abriu o noticiário da manhã com a apresentação oficial do logotipo de outro aniversário, os 70 anos da fundação da República Popular, que será celebrado no dia 1 de outubro.

As buscas pela palavra Tiananmen na plataforma Weibo, similar ao Twitter, também levavam ao logotipo oficial.

- Não existe balanço oficial -

Durante os últimos 30 anos o governo censurou qualquer discussão sobre protestos ou repressão. Atualmente há diversas câmeras de segurança em toda área de Tiananmen.

Nesta terça-feira, a Praça era ocupada por centenas de pessoas, incluindo crianças com a bandeira chinesa sobre os ombros dos pais, que formaram fila para passar pelos controles policiais e entrar no local para a cerimônia de hasteamento da bandeira.

Na noite de 3 de junho de 1989, soldados sufocaram a revolta, após sete semanas de manifestações e greves de fome de estudantes e operários que pediam o fim da corrupção e mais democracia.

Após semanas de passeatas e manifestações, o governo mobilizou tanques e soldados que abriram fogo contra os manifestantes e pedestres em 4 de junho.

O número exato de mortos é desconhecido. Em geral, segundo dados hospitalares, estima-se que houve entre 400 e mais de mil mortos.

Oficialmente, as autoridades nunca afirmaram o que aconteceu realmente naquele dia nem quantas pessoas morreram na repressão.

"Não há razões para ser otimista a respeito da China neste momentos se você observa o que está acontecendo", afirmou à AFP em Nova York o ativista Zhu Fengsuo.

"Nem o livro '1984' (de George Orwell) conseguiria chegar tão longe", completou.

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