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Estado de Minas

Trump quer 'acordo comercial muito substancial' com o Reino Unido


postado em 04/06/2019 08:55

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou nesta terça-feira em Downing Street para uma reunião com a primeira-ministra Theresa May e disse, no segundo dia de sua visita ao Reino Unido, que acredita que os dois países conseguirão um acordo comercial depois do Brexit.

"Acredito que teremos um acordo comercial muito, muito substancial", afirmou Trump no início de uma reunião com empresários britânicos e americanos na companhia de Theresa May. "Nós vamos fazer isso", acrescentou.

Elogiando a "grande aliança" entre os dois países, May ressaltou que acredita que "podemos torná-la ainda maior", graças a um grande acordo bilateral "com uma cooperação econômica mais ampla, e continuando nosso trabalho conjunto para apoiar, modelar e influenciar a economia global e suas regras e instituições".

May foi a primeira líder estrangeira recebida na Casa Branca após a vitória eleitoral de Trump, mas a relação entre os dois países está longe de ser perfeita: o Reino Unido defende o acordo nuclear com o Irã e o acordo sobre o clima de Paris, ambos denunciados por Washington.

O presidente americano criticou diversas vezes a estratégia de negociação da primeira-ministra com Bruxelas e pressiona o Reino Unido para que exclua a gigante da tecnologia chinesa Huawei de sua rede de 5G por razões de segurança, sugerindo que ode prejudicar a cooperação de inteligência entre os dois países.

Uma autoridade do governo britânico disse ao The Times que May "não vai pedir desculpas" por ter decidido, segundo a imprensa, permitir que a Huawei construa partes não vitais da próxima geração de internet móvel do país.

- "Baby Trump" nos protestos -

A segunda-feira, o primeiro dia da visita de Estado de três dias, foi dedicada à família real, com a recepção protocolar pela rainha Elizabeth II no palácio de Buckingham. Esta terça será marcada por encontros políticos e protestos.

Marcando o tom, os manifestantes convocados por diversas organizações de defesa dos direitos humanos, da luta contra as mudanças climáticas ou contra a guerra começaram a se reunir esta manhã em frente ao Parlamento britânico.

Uma contagem regressiva antecedeu a apresentação de um enorme balão representando um bebê Trump laranja e de fralda, já usado nas manifestações do ano passado, por ocasião de uma visita de trabalho do presidente americano.

Outra figura satírica, um boneco gigante representando Trump tuitando com seu celular sentado no banheiro com as calças abaixadas, foi levantada na praça central de Trafalgar, outro dos pontos de protesto.

Após o referendo de junho de 2016, no qual 52% dos britânicos votaram a favor do Brexit, o Reino Unido deveria ter deixado a União Europeia em 29 de março. Mas, diante da rejeição do Parlamento britânico em aprovar o acordo de divórcio assinado por May com Bruxelas, a data teve que ser adiada duas vezes, sendo agora 31 de outubro.

Enfraquecida pelos ataques dos eurocéticos dentro de seu partido conservador, que a acusam de ter feito concessões inaceitáveis para a UE, May anunciou que deixará o cargo em 7 de junho, abrindo o caminho para a eleição de outro líder.

Uma das razões defendidas pelos partidários do Brexit para abandonar totalmente a União Europeia é poder assinar acordos de livre comércio com países terceiros.

E suas esperanças repousam no outro lado do Atlântico, o maior parceiro comercial do Reino Unido no mundo cujas trocas bilaterais cresceram mais de 70% na última década e atingiram 190 bilhões de libras (cerca de 240 bilhões de dólares) no ano passado.

Mas os desejos de Trump por um acordo "substancial" estão cercados de polêmica, depois que seu embaixador em Londres, Woody Johnson, sugeriu no domingo que o Reino Unido teria que permitir a entrada em seu mercado de produtos agrícolas americanos como o frango com cloro e autorizar o setor privado do país a participar de seu serviço público de saúde.

Após a reunião com líderes empresariais, Trump e May vão se reunir em Downing Street, na presença, entre outros, do ministro britânico do Comércio Internacional, Liam Fox.

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