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Estado de Minas

Confira cinco coisas sobre a Dinamarca, às vésperas das legislativas


postado em 03/06/2019 19:05

A Dinamarca e seus dois territórios autônomos, as ilhas Faroe e Groenlândia, vão às urnas nesta quarta-feira (5) para eleições legislativas que, salvo surpresa, encerrarão quatro anos de governo conservador e devolverão o poder aos social-democratas de Mette Frederiksen.

Confira esta seleção de temas sobre este país nórdico, onde a campanha para a eleição de 5 de junho foi muito centrada no clima, na defesa do estado de bem-estar social e na imigração.

- Preocupação com as mudanças climáticas -

Neste pequeno país, que é aplicado na luta contra o aquecimento global apesar de ser um dos maiores produtores de carne de porco do mundo, uma atividade altamente poluente, 57% dos eleitores acreditam que o próximo governo deve dar prioridade ao clima, segundo uma pesquisa do instituto Gallup publicada em fevereiro. Essa atenção está mais presente em 69% das pessoas entre os 18-35 anos de idade.

Na Dinamarca, 34,9% da energia utilizada é obtida de fontes renováveis, contra uma média de 10,2% nos países da OCDE.

Na Groenlândia, os efeitos do aquecimento global são óbvios. Nesta gigantesca ilha no Ártico, quatro vezes maior que a França, o degelo, que provoca o aumento do nível do mar, quadruplicou entre 2003 e 2017.

- Controle mais rígido da imigração -

A Dinamarca tem uma população de 5,6 milhões de habitantes, sendo que 9,9% são estrangeiros. Entre 2010 e 2015, o número de solicitações de asilo quadruplicou, chegando a 21.316.

Em resposta, o país restabeleceu os controles nas fronteiras, que a direita agora quer manter de forma permanente, e endureceu as já restritivas condições de acolhimento, sem ter qualquer dúvida em recusar refugiados que lhe correspondem segundo as cotas europeias e em emitir apenas permissões de residência temporais.

No primeiro trimestre de 2019, 620 pessoas apresentaram pedidos de asilo, índice mais baixo desde 2008.

O atual governo de direita, apoiado pelo principal partido nacionalista do país, o Partido Popular (DF) dinamarquês, pretende adotar 114 emendas limitando a imigração. Altamente simbólica, entre elas estava o confisco de bens dos imigrantes que chegam ao país, para cobrir gastos por alimentação e alojamento, que foi aplicada apenas dez vezes.

Além do DF, outras duas coligações de extrema-direita concorrem nas legislativas e podem conquistar assento no Parlamento.

O discurso anti-imigrante contagiou toda a classe política, e os sociais-democratas prometeram manter o rumo.

Segundo o Eurobarômetro, 30% dos dinamarqueses mencionam a imigração como a principal preocupação, nove pontos acima da média europeia.

- Modelo social e tendência progressista -

A Dinamarca conta com um modelo social eficiente, financiado pelos altos impostos, que oferece a todos uma rede de segurança contra o desemprego ou doenças.

O acesso à educação e à saúde é gratuito e a jornada de trabalho semanal não supera as 37 horas.

A defesa da liberdade de expressão é uma pedra angular da sociedade dinamarquesa, moderna e progressista.

A homossexualidade deixou e ser crime em 1933. O reino é também o primeiro país do mundo a permitir o casamento homossexual com a criação de um medida me 1989.

Um dos marcos de Copenhague é o distrito de Christiania, onde há uma comunidade que pratica a autogestão desde os anos 1970 e cuja via principal é famosa por suas lojas onde é possível consumir maconha.

- Competitividade econômica -

Décima economia mais competitiva do mundo, segundo o Foro Econômico Mundial, a Dinamarca é o país da "flexissegurança", um modelo que permite às empresas dispensar facilmente seus funcionários, em troca do pagamento de seguro-desemprego e benefícios sociais.

Segundo o Eurobarômetro, o desemprego não preocupa mais que 5% dos dinamarqueses..

Em 2018, o crescimento econômico foi de 1,2%, atingido pela modesta alta das exportações, das quais o país é dependente.

A Dinamarca conta com várias multinacionais, como Lego, Novo-Nordisk -primeira empresa mundial- e Maersk -líder mundial do transporte marítimo.

- Terra do "hygge"

Os dinamarqueses são o segundo povo mais feliz do mundo, segundo um relatório recente da ONU, e são adeptos do "hygge", arte de viver que envolve a busca do bem-estar no dia a dia e que pode ser traduzido como "conforto".

Nesta cultura, todos devem participar pelo bem comum, o que contribui para o sentido de pertencimento e uma participação importante dos cidadãos.

A taxa de participação foi de 86% nas últimas eleições legislativas.

Apesar de os dinamarqueses estarem generalmente satisfeitos com suas vidas, estão entre os maiores consumidores de antidepressivos. Por dia, são ingeridos 77 comprimidos por cada mil habitantes, frente a uma média de 60, segundo a OCDE.

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