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Estado de Minas

UE e América do Sul buscam apoio de aliados de Maduro para realizar eleições


postado em 03/06/2019 17:55

Um grupo de países que promove eleições livres na Venezuela acordou nesta segunda-feira (3) nas Nações Unidas buscar o apoio de aliados do governo de Nicolás Maduro, ampliando os esforços para alcançar uma solução pacífica para a longa crise que castiga o país.

"Decidimos implementar um programa para chegar aos países que estão diretamente envolvidos em apoiar o regime ilegítimo de Maduro para que sejam parte da solução", disse o chanceler peruano, Néstor Popolizio, após se reunir com seus contrapartes de Chile e Canadá (em nome do Grupo de Lima), com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e chanceleres de Portugal e Uruguai pelo Grupo de Contato Internacional sobre a Venezuela (GCI).

Popolizio não mencionou especificamente Rússia, Cuba, Bolívia ou Nicarágua, mas assegurou que o objetivo é convencer os aliados de Maduro da necessidade de uma solução pacífica "para que haja uma transição na Venezuela e se convoque eleições livres e justas".

O Grupo de Lima, mais antagônico a Maduro que o GCI, celebrará no começo de agosto na capital peruana uma conferência "para a recuperação da democracia na Venezuela" e convidará todos os países que tiverem esta meta, disse à AFP o embaixador peruano na ONU, Gustavo Meza-Cuadra.

Mas antes, o Grupo de Lima, criado em agosto de 2017 e integrado por uma dúzia de países latino-americanos e pelo Canadá, se reunirá em 6 de junho na Guatemala para abordar a crise.

- "Retórica destrutiva" -

Após duas horas de reuniões na sede das Nações Unidas, em Nova York, os chanceleres divulgaram uma declaração conjunta na qual indicam que "embora a solução deva ser venezuelana, o impacto regional da crise requeira que a região e a comunidade internacional desempenhem um papel muito ativo para apoiar um pronto retorno à democracia na Venezuela".

Embora não quisessem falar da mediação da Noruega na crise política, que não deu frutos no primeiro encontro frente à frente entre o governo e a oposição em Oslo, na semana passada, disseram que "apoiam todos os esforços em andamento" para chegar a eleições livres.

"Não rejeitamos uma iniciativa pacífica. Quem quer que seja amigo da Venezuela, qualquer um que queira ajudar é bem-vindo", disse a jornalistas o vice-embaixador russo na ONU, Dmitri Polianski, consultado sobre a reunião.

"Estamos defendendo uma solução baseada no diálogo, primeiro e antes que mais nada em respeito à Constituição venezuelana e à lei internacional", acrescentou. "Ainda há muita retórica destrutiva que deve parar".

Também deram seu apoio à Assembleia Nacional da Venezuela, "eleita democraticamente" e presidida pelo líder opositor, Juan Guaidó, e pediram a Maduro para "restaurar e respeitar totalmente seus poderes, assim como libertar todos os prisioneiros políticos".

Os dois grupos coincidiram na gravidade da situação humanitária na Venezuela, que sofre com uma crescente escassez de medicamentos, combustível e energia elétrica, bem como o êxodo de três milhões de venezuelanos desde 2015, e asseguraram que continuarão denunciando as violações dos direitos humanos junto aos órgãos internacionais correspondentes.

Estados Unidos e mais de meia centena de países reconhecem Guaidó como presidente interino da Venezuela. Ele se autoproclamou como tal em 23 de janeiro, depois que o Parlamento declarou ilegítima a reeleição de Maduro.

Até agora, o líder opositor fracassou em tirar do poder o presidente socialista.

A ONU estima que um quarto da população venezuelana precise de ajuda humanitária e que 5.000 venezuelanos deixem o país a cada dia.

O GCI, que promove eleições livres na Venezuela, é integrado por Alemanha, França, Itália, Holanda, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido, assim como Bolívia, Equador, Uruguai e Costa Rica.

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