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Estado de Minas

Trump aumenta pressão contra México com ameaça de tarifas


postado em 31/05/2019 18:19

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou nesta sexta-feira (31) a pressão contra o México: após anunciar tarifas com o objetivo de deter a imigração ilegal, pediu ao vizinho do sul para "recuperar" o controle do país das mãos do narcotráfico.

"O México deve recuperar seu país dos senhores da droga e dos cartéis. As tarifas têm a ver com deter as drogas, assim como os (imigrantes) ilegais!", tuitou Trump.

Horas antes, o líder americano havia anunciado medidas tarifárias contra o México, numa manobra para deter o crescente número de migrantes ilegais que chegam à fronteira sul americana e após informar sobre um grupo recorde de mais de mil centro-americanos detidos no Texas nesta semana.

Na noite de quinta, Trump anunciou que a partir de 10 de junho os Estados Unidos vão impor tarifas de 5% a todos os produtos que entrarem no país vindos do México, um percentual que será ampliado gradualmente até um máximo de 25%, que será mantido "até que seja resolvido o problema da imigração ilegal".

A ameaça gerou nesta sexta-feira uma retração nos mercados em todo o mundo: as bolsas de Wall Street, Tóquio e Europa foram afetadas e o peso mexicano desvalorizou 2,8% em relação ao dólar.

Não contente, o mandatário afirmou que "90% das drogas que chegam aos Estados Unidos" entram através da fronteira com o México, e afirmou que "80 mil pessoas morreram no ano passado" e 1 milhão "se viram arruinadas".

"O México tem se aproveitado dos Estados Unidos há décadas", escreveu Trump no Twitter. "É hora de que finalmente façam o que deve ser feito!".

Trump anunciou as novas tarifas ao México no mesmo dia em que iniciou o processo de ratificação do acordo de livre-comércio da América do Norte, o T-MEC (na sigla em espanhol), selado em novembro passado entre Estados Unidos, México e Canadá.

- Presidente do México responde -

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, considerou nesta sexta-feira que a tensão gerada pelo anúncio de tarifas por parte EUA não vai interromper os passos para ratificar o acordo, garantindo que seu governo faz o possível para enfrentar a imigração ilegal.

"Nós não estamos de braços cruzados", afirmou o dirigente mexicano à imprensa, acrescentando que seu governo prepara "provas" que mostram os resultados do trabalho.

Entre janeiro e abril deste ano, as autoridades mexicanas prenderam 51.607 migrantes, principalmente da América Central, 17% a mais do o registrado no mesmo período de 2018, segundo dados oficiais.

O impacto das taxas seria devastador para o México, que envia 80% de suas exportações para os Estados Unidos. Mas López Obrador lembrou Trump que as tarifas também teriam um alto custo para os Estados Unidos, cujo maior parceiro comercial neste ano é o México, principalmente por conta da guerra comercial de Trump com a China.

"Estas medidas não são convenientes para os mexicanos nem para os americanos", destacou López Obrador, sem mencionar represálias e que na quinta-feira divulgou uma carta destinada a Trump em tom conciliador.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, vão discutir na próxima quarta-feira, em Washington, as tarifas alfandegárias que os Estados Unidos querem impor ao México.

"A cúpula para resolver a diferença dos Estados Unidos com o nosso país será na quarta-feira em Washington. Mike Pompeo encabeça a delegação americana (...) Há disposição para o diálogo. Seremos firmes e defenderemos a dignidade do México", escreveu nesta sexta Ebrard no Twitter, antes de viajar para a capital americana.

- "Uma empresa criminosa" -

Trump se comprometeu durante a campanha presidencial de 2016 em acabar com a imigração ilegal, mas o número de migrantes detidos na fronteira entre os Estados Unidos e o México superou os 100 mil por mês nos últimos meses, incluindo um novo recorde de 58.474 pessoas que cruzaram em abril.

As medidas tarifária anunciadas seriam uma resposta ao México pela exportação de "estrangeiros ilegais" para os Estados Unidos, com uma "rede de fornecimento" cuidadosamente montada por "uma empresa criminosa" desde "os locais mais distantes da Guatemala, Honduras", disse o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro.

Mas para Ana María Salazar, ex-funcionária do Pentágono e especialista em relações bilaterais, Trump tem motivações eleitorais.

Como "a reeleição está ficando complicada para ele", é útil para ele "ter um confronto com o presidente de México. A parte ruim é que esse confronto pode levar a não ratificação do acordo de livre-comércio da América do Norte, o T-MEC, surgindo assim graves consequências para o México, Estados Unidos e Canadá", disse Salazar.

Para a líder democrata no Congresso americano, Nancy Pelosi, a ameaça de Trump foi uma imprudência que poderia afetar as relações bilaterais justamente quando os países da América do Norte estão finalizando um acordo comercial.

"A ameaça do presidente não se baseia em uma política comercial inteligente, mas tem mais a ver com uma política migratória ruim de sua parte", disse Pelosi nesta sexta-feira.


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