Publicidade

Estado de Minas

Sul-coreano "Parasite" leva Palma de Ouro em Cannes


postado em 25/05/2019 17:05

Cannes premiou neste sábado com a Palma de Ouro uma tragicomédia sul-coreana, enquanto Pedro Almodóvar teve que se conformar c prêmio de melhor interpretação masculina para Antonio Banderas por seu papel em "Dolor y gloria".

O filme autobiográfico de Almodóvar destacava entre os favoritos, mas o diretor espanhol deixou o prêmio escapar pela sexta vez.

Ele nem mesmo esteve presente à cerimônia de entrega dos prêmios, anunciados pelo diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, presidente do júri.

O Brasil surpreendeu com "Bacurau", dirigida por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, que recebeu o prêmio dp júrado, junto com o francês "Les Misérables".

O filme "Parasite", dirigida por Bong Joon-ho, também era um dos grandes favoritos da crítica.

O título é uma irônica referência a uma família de desempregados que vive em um sórdido subterrâneo sem dinheiro nem para comer. Com uma boa dose de criatividade, eles conseguem trabajlhar em uma luxuosa mansão, ao serviço de uma família de burgueses.

Nada acontece como o esperado nessa tragicomédia que retrata com perspicácia as diferenças de classes, arrancando risadas e levando à reflexão sobre a injustiça social.

- Estimular a "consciência social" -

"Ficamos fascinados pelo filme e este fascínio foi crescendo ao longo dos dias", disse Iñárritu, em coletiva de imprensa após a premiação.

Bong Joon-ho já competiu pela Palma de Ouro na 2017 com "Okja", uma superprodução da Netflix com Tilda Swinton.

A franco-senegalesa Mati Diop, primeira mulher negra africana a competir pela Palma de Ouro, ganhou o Grande Prêmio com "Atlântico", um filme social com toques fantásticos que aborda o drama dos migrantes em Dakar.

Iñárritu ressaltou que "a maioria" dos filmes premiados tratam da "justiça social".

"O cinema deve tentar estimular a consciência social no mundo", acrescentou o mexicano, negando, entretanto que o júri tenha baseado suas premiações em "escolhas políticas".

- A "noite de glória" de Banderas -

Antonio Banderas, de 58 anos, recebeu o prêmio de melhor interpretação masculina por seu papel de Salvador Mallo, um consagrado cineasta em plena crise de criação, que na verdade corresponde à persona de Pedro Almodóvar.

Ao receber o prêmio, Banderas dedicou ao diretor espanhol, com quem tem trabalhado há 40 anos, desde "Labirinto de paixões".

"Eu o respeito, o admiro, o amo, ele é meu mentor", disse o ator, garantindo que esta era sua "noite de glória".

Banderas, que atua com Penélope Cruz no filme, explicou em Cannes que para este papel ele "partiu do zero", se colocando "às ordens" do cineasta.

O prêmio de melhor interpretação feminina foi para a anglo-americana Emily Beecham, de 35 anos, por seu papel de cientista e mãe solteira na futurista "Little Joe", da austríaca Jessica Hausner.

- "Resistência" -

Premiado pelo júri, "Bacurau" narra a história de um povoado do sertão perseguido por um grupo de assassinos americanos.

Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles contaram à AFP que seu filme é também uma mensagem de "resistência" frente ao governo do presidente Jair Bolsonaro.

"Devemos nos unir para suportar a loucura que está se dando agora" com Bolsonaro, disse Mendonça, que em 2016 disputou a Palma de Ouro com "Aquarius".

Os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, que já têm duas Palmas de Ouro, ganham o prêmio de melhor direção por "O jovem Ahmed".

O filme conta a história de um jovem muçulmano de 13 anos na Bélgica que fica fascinado pelo exemplo de um primo morto na jihad, caindo no radicalismo islâmico.

Luc Dardenne disse que o filme era "uma ode à vida nesses tempos sombrios".

Das quatro diretoras na disputa, além de Diop, a francesa Céline Sciamma convenceu com "Retrato de uma mulher em chamas", uma história de um amor proibido entre duas mulheres no século XVIII. Ela ficou com o prêmio de melhor roteiro.

Outros pesos pesados como o britânico Ken Loach e os americanos Quentin Tarantino e Terrence Malik saíram de mãos vazias.

No ano passado, Cannes premiou "Um assunto de família", do japonês Hirokazu Kore-eda.


Publicidade