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Estado de Minas

Sucessão patrilinear: debate urgente no Japão com a abdicação do imperador


postado em 28/04/2019 09:31

A abdicação do imperador Akihito do Japão acelera a sucessão e coloca em pauta a urgência do debate sobre a manutenção do tradição patrilinear, diante do cada vez mai reduzido número de futuros herdeiros ao trono.

Após Naruhito (59 anos), filho mais velho do atual soberano que vai o suceder em 1 de maio, sobram somente três homens na linha de sucessão: o príncipe Akishino (53 anos), segundo filho do casal imperial, o príncipe Hisahito (12 anos), filho do príncipe Akishino, e o irmão do imperador Akihito, de 83 anos, o terceiro da lista.

Essa configuração confere responsabilidade ao jovem príncipe Hisahito, que deverá ter rapidamente um filho para que a dinastia não acabe.

Essa pressão recaiu durante muito tempo sobre Naruhito, e especialmente sobre sua esposa Masako, que dez à luz somente um descendente, a princesa Aiko (17 anos), e sofreu durante anos com depressão, e hoje está totalmente recuperada.

A lei da Casa Imperial não reconhece o direito das mulheres à suceder o trono do Crisântemo, como se conhece a monarquia japonesa. Isso exlcui da sucessão a filha do imperador, a única filha do príncipe herdeiro e as duas filhas do príncipe Akishino.

Além disso, não são reconhecidos como futuros possíveis imperadores os homens cujo pai é um membro da família imperial.

As mulheres, incluindo as filhas do soberano, são excluídas da linha de sucessão após o se casarem, a menos que seu marido faça parte da família real. Isso supõe que, segundo o sistema atual, se a filha do imperador tem um filho, ele não tem nenhuma possibilidade de assumir o trono.

Mesmo que na história imperial do Japão tenha acontecido oito ocasiões em que mulheres ocuparam o trono (a última foi Go-Sakuramachi, entre 1762 e 1770), eram sempre filhas do imperador.

- Debates futuros -

Os filhos ou filhas dessas imperatrizes não a sucederam. As soberanas foram substituídas por descendentes masculinos de um homem da família imperial.

"Mesmo concordando sobre a importância de que a linha patrilinear foi mantida até a hoje sem excessão, desejaria que pensássemos em assegurar uma continuidade da sucessão imperial, temos que debater de forma serena e precisa", reiterou recentemente o Primeiro-ministro, Shinzo Abe. Mas o debate é urgente.

No início dos anos 2000, a questão surgiu com força, mas o próprio Shinzo Abe, em seu primeiro mandato em 2007, deixou a questão de lado após o nascimento do príncipe Hisahito. Esse acontecimento adiou a urgência do tema, já que se tratava da chegada do primeiro herdeiro homem da família imperial desde 1965.

O porta-voz do governo, Yoshihide Suga, declarou em 18 de março que "o debate sobre esse tema começaria depois que Naruhito tenha se transformado em imperador", mas reconhece que o tempo é curto para tratar "essa questão difícil levando em conta também a a idade dos membros da família imperial".

Apesar da evolução da opinião pública sobre o assunto, com vários japoneses concordando que autorizar a sucessão feminina seria preferível, a classe política no poder, apoiada pelos nacionalistas e masculina em sua grande maioria, se mostra mais prudente.

"Ninguém quer ter a responsabilidade" de mudar as normas nesse sentido, diz Yuji Otabe, professor de história japonesa de uma universidade de Shizuoka.

O peso das tradições vinculadas ao xintoísmo e o medo da mudança têm um peso tão grande que o governo manteve a regra de que somente os homens da família assistirão à cerimônia de sucessão, en que Naruhito receberá os "três tesouros sagrados" da linha imperial: um espelho, uma espada e uma joia, herdados segundo a lenda da deusa do Sol, Amaterasu.


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