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Estado de Minas

Cientistas calculam degelo na Groenlândia desde 1972


postado em 25/04/2019 16:37

A medição do gelo na Groenlândia ou na Antártida se tornou um exercício relativamente preciso em 2019 graças a um arsenal de satélites, estações meteorológicas e sofisticados modelos climáticos.

Os cientistas já conseguiam fazer isso bastante bem nas décadas de 1990 e 2000, mas as estimativas de décadas anteriores não haviam sido confiáveis, já que os satélites e outras tecnologias de medição eram menos avançados.

Em um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), os pesquisadores recalcularam a perda de gelo desde 1972, quando os primeiros satélites Landsat, que fotografavam regularmente a Groenlândia, foram colocados em órbita.

"Quando você olha para trás durante várias décadas, é melhor se sentar antes de ver os resultados, porque dá um pouco de medo ver quão rápido muda", disse à AFP o glaciólogo francês Eric Rignot, da Universidade da Califórnia, em Irvine, coautor do estudo com colegas da Califórnia, Grenoble, Utrecht e de Copenhague.

"É algo que também afeta os quatro cantos da Groenlândia, não só as partes mais quentes do sul".

- Seis vezes mais derretido -

Os glaciólogos têm à sua disposição três métodos para medir o derretimento das geleiras.

Os satélites medem a altitude - e suas variações - usando um laser: se uma geleira derrete, o satélite vê como sua altura diminui.

Uma segunda técnica consiste, desde 2002, graças aos satélites da Nasa, em medir as variações de gravidade terrestre: como as montanhas quase não se movem, são os movimentos e as transformações da água que as explicam.

Finalmente, os cientistas desenvolveram os chamados modelos de balanço de massas: comparam o que se acumula na Groenlândia (chuva, neve) com o que sai (rios de gelo), e assim calculam o que resta.

Estes modelos, confirmados com medições em terra, se tornaram muito confiáveis desde meados da década do 2000, diz Eric Rignot, com uma margem de erro de 5% a 7%, em comparação com 100% de algumas décadas atrás.

A equipe utilizou estes modelos para "voltar no tempo" e reconstruir detalhadamente onde estava o gelo da Groenlândia nas décadas de 1970 e 1980.

Os poucos dados disponíveis para este período (fotos de satélite de resolução média, fotos aéreas, núcleos de neve e outras observações de terreno) permitiram refinar o modelo.

"Adicionamos uma pequeno pedaço de história que não existia", acrescenta Eric Rignot.

O resultado é que na década de 1970, a Groenlândia ganhou uma média de 47 gigatoneladas de gelo por ano (Gt/ano), antes de perder um volume equivalente na década de 1980.

O degelo continuou neste ritmo na década de 1990, antes de uma forte aceleração a partir da década de 2000 (187 Gt/ano) e especialmente a partir de 2010 (286 Gt/ano).

O gelo está derretendo seis vezes mais rápido hoje que na década de 1980, segundo os pesquisadores. As geleiras da Groenlândia por si só contribuíram para um aumento de 13,7 milímetros do nível do mar desde 1972.

"É um trabalho excelente por um grupo de pesquisadores bem estabelecido que utiliza os novos métodos para extrair mais informações dos dados disponíveis", comentou Colin Summerhayes, do Scott Polar Research Institute em Cambridge.

Como um trabalho similar da mesma equipe para a Antártica, o novo estudo oferece um contexto mais prolongado do rápido degelo observado na Groenlândia nos últimos anos.

"O degelo glaciar observado há oito anos é equivalente ao de quatro décadas anteriores", resume Amber Leeson, da Universidade de Lancaster.


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