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Estado de Minas

Atirador transmitiu ataque às mesquitas ao vivo e postou manifesto

No manifesto, o atirador diz que nasceu na Austrália em uma família de baixa renda e completou 28 anos. Ele declara que os momentos-chaves para a sua radicalização foi a derrota da líder de extrema direita Marine Le Pen na eleição presidencial francesa em 2017


postado em 15/03/2019 09:43 / atualizado em 15/03/2019 11:57

A AFP analisou uma cópia do vídeo postado no Facebook Live e confirmou sua autenticidade. O atirador diz em manifesto que nasceu na Austrália em uma família de baixa renda e completou 28 anos(foto: Handout / AFP )
A AFP analisou uma cópia do vídeo postado no Facebook Live e confirmou sua autenticidade. O atirador diz em manifesto que nasceu na Austrália em uma família de baixa renda e completou 28 anos (foto: Handout / AFP )
O atirador australiano autor dos ataques contra mesquitas neozelandesas nesta sexta-feira além de transmitir ao vivo a ação mortífera também postou um manifesto racista no Twitter, segundo análise realizada pela AFP.


A polícia pediu às pessoas para não compartilharem as imagens, nas quais o agressor pode ser visto disparando à queima-roupa.


"A polícia está ciente de imagens extremamente dolorosas do incidente de Christchurch circulando na internet", afirmou a polícia local no Twitter.


"Recomendamos o não compartilhamento do link. Estamos trabalhando para que essas imagens sejam removidas", acrescentou.


A AFP analisou uma cópia do vídeo postado no Facebook Live que mostra um homem branco de cabelos curtos dirigindo-se à mesquita Masjid al Noor em Christchurch.


A AFP estabeleceu a autenticidade do vídeo por meio de uma investigação digital, comparando as capturas de tela das imagens do atirador mostrando a mesquita com várias imagens da mesma área disponíveis na internet.


Um "manifesto" explicando os motivos do ataque foi divulgado na manhã desta sexta-feira em uma conta no Twitter com o mesmo nome e perfil da página do Facebook que transmitiu o ataque ao vivo.


Intitulado "A Grande Substituição", o documento de 73 páginas declara que o atirador tinha a intenção de atacar muçulmanos. O título parece ser uma referência a uma tese do escritor francês Renaud Camus sobre o desaparecimento de "povos europeus", "substituídos", segundo ele, por populações de imigrantes não europeus, que está crescendo em popularidade nos círculos de extrema direita.


No manifesto, o atirador diz que nasceu na Austrália em uma família de baixa renda e completou 28 anos. Ele declara que os momentos-chaves para a sua radicalização foi a derrota da líder de extrema direita Marine Le Pen na eleição presidencial francesa em 2017 e um ataque com caminhão que causou cinco mortes em Estocolmo, em abril de 2017, incluindo uma menina de 11 anos.


O primeiro-ministro australiano Scott Morrison confirmou que o atirador da mesquita Masjid al Noor era australiano.


As autoridades da Nova Zelândia anunciaram três prisões, acrescentando ter indiciado um homem por homicídio.


No vídeo da transmissão ao vivo, o atirador está em um carro, enquanto a voz de um sistema de navegação por satélite pode ser ouvida em segundo plano e a AFP traçou sua rota fazendo uma verificação cruzada no Google StreetView.


Palavras inscritas nas armas do atirador que aparecem no vídeo também correspondem a imagens postadas na conta do Twitter que publicou o manifesto. Este foi o último tuíte publicado por esta conta antes de sua suspensão.


As fotos das armas com suas inscrições específicas foram publicadas em 13 de março nesta conta do Twitter.

(foto: Handout / AFP )
(foto: Handout / AFP )


Também constam, em inglês e em várias línguas do leste europeu, nomes de personagens da história militar, incluindo muitos europeus que combateram as forças otomanas nos séculos XV e XVI.


AFP recuperou o vídeo antes que a conta do Facebook fosse desativada logo após os ataques, e fez capturas de tela da conta no Twitter antes de ser suspensa. A AFP não publicará nenhuma imagem.


Um porta-voz do ministério do Interior da Nova Zelândia alertou que é provável que o vídeo seja repreensível sob a lei do país e que o compartilhamento seja ilegal.


"O conteúdo do vídeo é perturbador e terá efeitos prejudiciais sobre as pessoas", alertou.


"É uma verdadeira tragédia com vítimas reais e encorajamos as pessoas a não assistirem ou compartilharem o vídeo".



 


 


 

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