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Estado de Minas

Instabilidade política na Espanha, um problema que se torna crônico


postado em 15/02/2019 17:32

A Espanha, que terá em 28 de abril suas terceiras eleições legislativas em pouco mais de três anos, sofreu desde o final de 2015 uma instabilidade política crônica, com um Parlamento muito fragmentado.

- Dezembro de 2015: o bipartidismo se estilhaça -

As eleições legislativas de 20 de dezembro de 2015 marcam o fim do bipartidarismo entre o Partido Popular (PP, conservador) de Mariano Rajoy, que vence apesar de perder a maioria absoluta, e o Partido Socialista (PSOE), que ocupa o segundo lugar, perdendo terreno.

Dois novos partidos, a esquerda radical do Podemos e o Cidadãos, de centro-direita, entram vigorosamente em uma divisão parlamentar, como não acontecia desde a restauração da democracia em 1977, após o fim da ditadura de Francisco Franco.

O socialista Pedro Sánchez chega a um acordo com o Cidadãos, mas insuficiente para ser empossado. Novas eleições em 26 de junho de 2016 dão um ligeiro avanço ao PP, mas o bloqueio persiste.

- Outubro de 2016: Rajoy reempossado -

Após dez meses de paralisia política, Mariano Rajoy é reempossado em 29 de outubro como presidente do governo, graças aos votos do Cidadãos e à abstenção de uma parte dos socialistas.

Este último grupo havia destituído seu líder, defensor do "não é não" diante de um novo governo de Rajoy, culpando-o pelo pior resultado eleitoral dos socialistas em 40 anos.

No governo, Rajoy consegue aprovar seus orçamentos em 2017 e 2018, ao preço de conceder concessões amplas a nacionalistas bascos e regionalistas das Ilhas Canárias.

- Junho de 2018: Sánchez substitui Rajoy -

Em 24 de maio, o PP é condenado, após anos de instrução, em um megaprocesso por corrupção. Pedro Sanchez retornou à frente do PSOE pelas bases, apresenta uma moção de censura contra Rajoy.

A moção triunfa em 1º de junho, e Sánchez chega à chefia do governo automaticamente, graças aos votos do Podemos e dos independentistas catalães irritados com Rajoy. que suspendeu a tentativa de secessão desta região em outubro de 2017.

- Fevereiro de 2019: orçamento vetado, eleições convocadas -

À frente do governo mais minoritário da democracia espanhola, Sánchez apresenta um orçamento anti-austeridade, negociado com o Podemos, com a esperança de esgotar a legislatura, que termina em junho de 2020.

No entanto, as negociações com os separatistas catalães, que exigem um referendo de inaceitável autodeterminação para Sánchez, fracassam quando um julgamento histórico contra os líderes separatistas começa em Madri.

Em 13 de fevereiro, os deputados pró-independência rejeitaram o orçamento com o PP e o Cidadãos, precipitando o fim da legislatura. Dois dias depois, Sánchez anuncia eleições legislativas para 28 de abril.

Estas eleições serão realizadas em uma paisagem política complexa: três partidos - PSOE, PP e Cidadãos - devem lutar pelo primeiro lugar, enquanto as pesquisas preveem o surgimento de uma quinta força: o partido de extrema direita Vox, que poderia estar em posição para formar uma maioria com PP e Cidadãos, de acordo com pesquisas.


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