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Estado de Minas

#MeToo: Gillette colhe os frutos com polêmica propaganda


postado em 23/01/2019 18:49

Um diretor da Gillette comemorou nesta quarta-feira (23) os resultados da marca de lâminas de barbear após uma polêmica propaganda, cujo objetivo era apoiar o movimento contra o assédio sexual #MeToo, acabar gerando chamados a um boicote.

"Estamos contentes com o nível de vendas (alcançado) desde esta propaganda, tanto nos atacadistas tradicionais como no Gillette Shave club", a plataforma de venta on-line, declarou Jon Moeller, diretor financeiro da empresa em uma conferência telefônica com jornalistas sobre os resultados trimestrais da Procter & Gamble, a matriz.

Com uma série de imagens de assédio e brutalidade, o anúncio não mostra nenhuma lâmina de barbear, mas convida os homens a se questionar e mudar de comportamento para acabar com a cultura de "masculinidade tóxica", e transforma o slogan usado pela marca há 30 anos ("O melhor para o homem") em "Isso é o melhor que um homem pode ser?".

A difusão do anúncio, que dura quase dois minutos, gerou uma série de elogios no YouTube e nas redes sociais, que viram na propaganda um exemplo de comunicação "corajosa".

Mas, assim como o próprio movimento #MeToo, que há 15 meses alimenta a polarização do debate político americano, a mensagem foi desprezada por muitos homens, que se sentiram insultados ao ponto de condenar a marca para sempre.

No YouTube, o vídeo tinha mais de 25,3 milhões de visualizações nesta quarta-feira e havia recebido 696.000 "curtidas" e 1,2 milhão de "não curti", uma proporção particularmente ruim.

"Temos recebido uma cobertura midiática e um investimento dos consumidores sem precedentes", declarou na terça-feira Moeller. "Isso faz parte dos nossos esforços para chegar de mais eficaz aos jovens consumidores".

"As primeiras cifras mostra que alcançamos o objetivo", acrescentou.

Há alguns anos a Gillette tem que dividir o mercado com algumas marcas adotadas pelos "millenials" (17-35 anos) como a Dollar Shave Club (Unilever), o que gerou uma queda de 9% de seus lucros, o que se traduz em 1,620 bilhão de dólares a menos de vendas no último trimestre de 2018.

Moeller também indicou que, depois do anúncio, haviam mantido as vendas aos distribuidores clássicos apesar dos chamados ao boicote, e que as vendas on-line "continuaram crescendo".

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