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Estado de Minas

Número de nascimentos cai em países ricos, e os demais têm 'baby boom'


postado em 09/11/2018 15:00

A fertilidade caiu pela metade no mundo desde 1950, mas esse dado esconde disparidades profundas conforme o padrão de vida: enquanto o número de nascimentos diminui nos países ricos, dispara nas nações em desenvolvimento, segundo um estudo publicado nesta sexta-feira pela revista médica The Lancet.

De acordo com a pesquisa, o número de filhos por mulher no mundo passou de 4,7 em 1950 para 2,4 atualmente.

Noventa e um países - localizados principalmente na Europa e no continente americano - não têm nascimentos suficientes para manter sua população atual.

Já na África e na Ásia, a taxa de natalidade está aumentando, segundo este estudo do Instituto de Metrologia e Avaliação em Saúde (IHME, da Universidade de Washington), organismo financiado pela fundação Bill e Melinda Gates.

O IHME compilou mais de 8 mil dados de saúde para analisar a mudança da população mundial de 2,6 bilhões de indivíduos em 1950 a 7,6 bilhões no ano passado.

O Chipre é a nação menos fértil do planeta, com uma média de um filho por mulher, segundo dados recolhidos pelo IHME. Já no Mali, no Chade e no Afeganistão, as mulheres têm uma média de seis crianças. No Níger, o número chega a sete.

Entre os fatores socioeconômicos que explicam essas disparidades, a educação desempenha um papel particularmente importante, segundo os autores da pesquisa.

"Quanto mais anos uma mulher passa na escola, menos vezes ela engravida, reduzindo o número de filhos", disse à AFP Ali Mokdad, do IHME.

Ele destaca que, normalmente, o aumento da população dos países em desenvolvimento é acompanhado paralelamente de uma melhoria de seu padrão de vida - a não ser que tenham sido abalados por guerras e outros problemas. Eventualmente, isso pode acabar reduzindo o número de nascimentos.

"À medida que as economias desses países melhorarem, é provável que sua fertilidade diminua", disse Mokdad.

Já a expectativa de vida mundial cresceu com o passar o tempo: de 1950 a 2018, passou de 48 anos para 71 anos em média no mundo para os homens, e de 53 para 76 anos para as mulheres.

Viver mais tempo acarreta problemas de saúde específicos. Assim, doenças cardíacas costumam ser a principal causa de morte no mundo, de acordo com o IHME.

"Quanto mais ricos os países ficam, menor a taxa de mortalidade por doenças infecciosas", segundo Mokdad. Por outro lado, a incapacidade decorrente da velhice está aumentando, assim como as condições diretamente relacionadas ao estilo de vida, como a obesidade.

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