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Estado de Minas

Celulares e telefones emprestados: como ligar para casa da caravana migrante


postado em 07/11/2018 19:51

Freddy Muñoz não perdeu o sorriso apesar de não conseguir falar com sua filha, em Honduras, por um serviço de ligações gratuitas oferecido pela Cruz Vermelha para a caravana migrante no México.

Este hondurenho de 61 anos tem usado serviços similares desde que saiu caminhando de San Pedro Sula, em 13 de outubro, para chegar aos Estados Unidos.

"Estou adaptado a isso, não gosto dos telefones porque não sei como usá-los", diz à AFP.

Muñoz tentou várias vezes ir aos Estados Unidos. Busca serviços similares ao da Cruz Vermelha de tempos em tempos para falar com sua única filha, já adulta, que pede que ele deixe essas "aventuras" de lado.

"Ela diz: 'Ai, pai, você gosta dessas coisas (sair do país), deixe isso para lá'", conta, após sair da tenda branca instalada pela organização para oferecer o serviço.

Dezenas dos 4.500 migrantes que estão na Cidade do México fazem fila para utilizar o serviço da Cruz Vermelha, que fornece celulares para ligações breves com o objetivo de que informem as suas famílias onde e como estão.

Muitos deles deixaram as suas famílias para trás para buscar um futuro melhor por conta da violência e da falta de oportunidades em Honduras.

Algumas dessas ligações terminam aos prantos pela separação, ou de alegria por ouvir uma voz conhecida.

Outros preferem a rapidez de carregar um pequeno telefone celular.

"Antes de sair dissemos: 'Vamos partir, esperem a ligação, vamos bem'", diz Norvin Alvarado, um migrante hondurenho de 22 anos.

Em outros pontos do abrigo da Cidade do México, as pessoas se reúnem para carregar os vitais telefones em uma tomada.

"É mais preocupante porque não teriam como se comunicar com as suas famílias, e é bem difícil para fazer uma ligação para lá", diz Belkis Salinas, uma hondurenha, enquanto aguarda que seu celular carregue.

Outros saem do abrigo para os bairros próximos a fim de encontrar um local com Internet que possam usar, embora digam que o preço de 14 pesos por hora (0,71 dólar) seja excessivo.

"Estou apenas procurando Internet e daqui a pouco vou sair, quero dizer a minha família onde estou e como está a minha saúde", diz Germán Navarro, um guatemalteco de 19 anos.

Os membros da caravana migrante chegam desde domingo passado à Cidade do México, onde esperam definir os próximos passos para chegar aos Estados Unidos.

Duas outras caravanas de migrantes avançam pelo México seguindo o caminho marcado pelo primeiro grupo.

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