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Estado de Minas

EUA se prepara para eleição de meio de mandato com tom de referendo sobre Trump


postado em 05/11/2018 22:49

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua nesta segunda-feira (5) a sua maratona de comícios a poucas horas da abertura as urnas para as eleições de meio de mandato, votação considerada um referendo sobre a sua figura, dois anos depois de ser eleito.

Nesta segunda, o presidente americano retornará à Casa Branca após a meia-noite, horas antes da abertura das urnas e depois de participar de atos de campanha em Cleveland, Ohio; Fort Wayne, Indiana; e Cape Girardeau, Missouri.

"Tudo o que criamos e que conseguimos conquistar está em jogo", disse Trump à multidão em Cleveland.

Apesar de o nome de Trump não estar nas cédulas, está claro que as eleições são um referendo sobre o seu governo, nas quais está em jogo todas as cadeiras da Câmara de Representantes, um terço dos assentos do Senado, 36 governos e dezenas de legislaturas estaduais.

Os americanos assistem o final de uma campanha que esteve marcada por dois violentos incidentes: o envio de pacotes com explosivos a proeminentes líderes opositores e o massacre em uma sinagoga em Pittsburgh, onde morreram 11 pessoas.

Os dois casos motivaram acusações de que Trump estimula a violência com seus tuítes e discursos cheios de duros comentários contra seus opositores.

Mas o presidente americano reagiu culpando os jornalistas críticos de alimentarem o extremismo.

- Imigração como tema central -

No ambiente intenso de seus comícios, Trump usa de sua experiência como apresentador de televisão para cativar seu público e se colocar no centro do debate.

Com um estilo que mistura declarações grandiloquentes, linguagem simples e toques de humor cruel para atingir seus críticos, Trump coloca os eleitores diante da escolha entre a sua gestão, que expandiu a economia e levou o desemprego a um mínimo de 3,7%, além da sua visão de segurança, e as posturas dos democratas, os quais chama de extremistas de esquerda.

"Se os democratas radicais tomarem o poder, vão lançar uma bola de demolição contra a nossa economia e contra o nosso futuro", advertiu nesta segunda.

A estratégia de centralizar todo o debate político na sua figura é uma aposta, assim como a virada em seus discursos, que passaram dos elogios às conquistas econômicas de sua gestão a uma narrativa dura - e qualificada por alguns de racista - com a qual denuncia a imigração ilegal como uma "invasão".

A poucos dias das eleições, Trump enviou mais de 4.800 soldados à fronteira com o México e sugeriu que se os migrantes centro-americanos das caravanas lançassem pedras contra os militares, estes poderiam responder com tiros, apesar de ter se retratado depois.

- Bem-vindos à Venezuela -

Os democratas "querem impor o socialismo no nosso país. E querem apagar as fronteiras dos Estados Unidos", disse no domingo à noite durante um comício em Chattanooga, no Tennessee.

"Querem usar o socialismo para converter os Estados Unidos em Venezuela. Um lugar encantador, um lugar encantador", declarou ironicamente na sexta-feira, em Indianápolis.

Os democratas "imporão o socialismo, bem-vindos à Venezuela", advertiu Trump novamente no sábado, na Flórida, onde o candidato Andrew Gillum ameaça o republicano Ron DeSantis.

"Vão transformar a Geórgia na Venezuela" se elegerem a democrata "de extrema esquerda" Stacey Abrams para o governo local, insistiu Trump no domingo neste estado do sul.

Esta tática funcionou para ele em 2016 quando, contra todos os prognósticos, conseguiu ser eleito. Mas esses discursos também irritam muitas pessoas, dando aos democratas uma esperança de mais mobilização.

- O enigma do voto latino -

Uma das maiores interrogações é como o eleitorado irá reagir à agressiva retórica de Trump contra a imigração e, especificamente, se isso afetará de alguma forma o voto latino, em um país onde 29 milhões de hispânicos estão registrados para votar.

Apesar de o presidente americano ter uma rejeição majoritária da comunidade latina, quase 30% dos eleitores hispânicos o apoiaram em 2016.

Nos Estados Unidos, os presidentes costumam perder terreno no Congresso nas primeiras eleições de meio de mandato, mas uma economia forte poderia ajudar Trump a quebrar este precedente.

Segundo uma pesquisa encomendada pelo jornal Washington Post e pela ABC News, os democratas têm uma vantagem de 50% a 43% na Câmara baixa, mas essa diferença diminuiu desde os 14 pontos com os quais contavam em agosto.

Entretanto, as pesquisas não mostram a correlação com as pessoas que realmente vão votar e, neste ponto, inclusive as previsões do tempestade no leste do país poderiam impactar.

Os democratas sacaram a sua principal arma nos últimos dias de campanha: o ex-presidente Barack Obama, que no domingo saiu em ajuda de um candidato democrata na Indiana que pode perder a sua cadeira.

"O caráter do nosso país está na cédula", declarou Obama, criticando os escândalos judiciais que marcaram o governo Trump.

"As eleições de amanhã podem ser as mais importantes das nossas vidas", reiterou o ex-presidente nesta segunda-feira em seu Twitter.

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