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Estado de Minas

EUA promete ser 'implacável' contra Irã, que se mantém desafiador


postado em 05/11/2018 18:31

Os Estados Unidos afirmaram que serão implacáveis na aplicação de suas sanções aos setores petroleiro e financeiro do Irã - que, por sua vez, já prometeu "contornar com orgulho" as novas sanções.

Em meio a críticas internacionais por sua ação unilateral, o governo do presidente Donald Trump poupou oito países da aplicação do embargo ao petróleo iraniano, principal produto de exportação do país.

Seis meses depois de se retirar unilateralmente do acordo nuclear iraniano assinado em 2015, o secretário de Estado Mike Pompeo disse que a meta é que Teerã dê "uma guinada de 180 graus" e abandone seu "rumo revolucionário".

Embora não tenha exigido uma mudança de regime, Pompeo reiterou que o Irã deve acabar com as políticas que têm suas raízes na revolução islâmica de 1979 e que incluem o apoio a forças como a milícia islâmica Hezbollah e o desenvolvimento de mísseis.

"Estamos esperançosos de que um acordo com o Irã seja possível, mas até que o Irã faça as 12 mudanças que pedimos em maio, seremos implacáveis na pressão sobre o regime", disse Pompeo.

As sanções entraram em vigor no 39º aniversário da tomada da embaixada americana em Teerã após o triunfo da Revolução Islâmica. Pompeo afirmou que eles procuram "privar o regime iraniano dos fundos que usa para financiar atividades violentas no Oriente Médio e em todo o mundo".

Inspetores da ONU dizem que o Irã mantém p acordo alcançado por Barack Obama, antecessor de Trump, para deter o programa nuclear de Teerã. Esse acordo foi apoiado por potências europeias, Rússia e China e endossado pelo Conselho de Segurança da ONU.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, adotou uma postura desafiadora diante das sanções.

"Orgulhosamente vamos eludir vossas sanções ilegais e injustas porque são contra as normas internacionais", disse.

"Estamos em uma situação de guerra econômica e estamos enfrentando uma tentativa de intimidação, e não acho que na história americana tenha havido alguém na Casa Branca a ponto de contrariar as leis e convenções internacionais", acrescentou Rohani.

Desde que chegou ao poder em janeiro de 2017, Donald Trump considera o acordo nuclear uma aberração e aplica uma política hostil com relação ao Irã. Em agosto, já tinha imposto uma primeira rodada de sanções econômicas.

Em um dos bazares de Teerã, havia ansiedade sobre o futuro do país.

"A sombra das sanções já afetaram a economia de forma desastrosa. O poder de compra das pessoas desabou", disse Ehsan Attar em uma loja de ervas medicinais.

- Compromissos -

Rouhani disse que quatro países se ofereceram para mediar seu diálogo com os Estados Unidos em setembro, mas disse ter recusado essas ofertas.

"Não há necessidade de mediação, não há necessidade dessas mensagens, agimos de acordo com os compromissos e nos sentamos e conversamos", disse ele.

Mas o ministro das Relações Exteriores iraniano, Javad Zarif, disse ao jornal USA Today nesta segunda-feira que seu governo consideraria mais esforços diplomáticos se houvesse uma "nova abordagem" de Washington.

A mais recente salva das sanções dos EUA tem como objetivo derrubar as exportações de petróleo do Irã - que já caíram para um milhão de barris diários desde maio - e impedi-lo de acessar financiamento de bancos estrangeiros.

O sistema internacional de transferências financeiras SWIFT anunciou segunda-feira que oito bancos iranianos foram suspensos desse serviço.

O FMI estima que as sanções causarão uma contração econômica de 1,5% neste ano ao Irã e de 3,6% em 2019. Já antes das sanções a economia iraniana foi atingida por grandes problemas - entre eles, corrupção generalizada, investimentos fracos e um setor financeiro carregado de ativos tóxicos.

- Oito isenções -

Os Estados Unidos eximiram oito países da proibição de compra de petróleo iraniano: China, Índia, Itália, Grécia, Coreia do Sul, Japão, Taiwan e Turquia.

O maior mercado do petróleo iraniano é a China, seguida da União Europeia, da Índia e da Turquia. Japão e Coreia do Sul reduziram suas importações a quase zero.

Pompeo disse que esses países mostraram que eles reduziram suas compras do Irã e que os Estados Unidos reconhecem circunstâncias especiais, bem como a necessidade de não prejudicar os mercados.

Uma exceção notável foi o Iraque. Se esse país tivesse sido isentado, seria fácil para o Irã misturar sua produção de petróleo com a de seu vizinho e vendê-la nos mercados internacionais, disseram analistas.

Os outros signatários do acordo nuclear, a Grã-Bretanha, França, Alemanha, China e Rússia se opuseram veementemente às sanções dos EUA e defenderam manter esse plano vivo.

"Faremos tudo que for necessário para preservar e expandir o comércio internacional e a cooperação econômica e financeira com o Irã, apesar das sanções dos Estados Unidos", reagiu o governo russo.

Os únicos suportes para os Estados Unidos foram dois rivais do Irã: Arábia Saudita e Israel. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamou o anúncio dos EUA de "dia histórico".

As medidas norte-americanas afetarão diretamente as empresas asiáticas ou europeias que continuam a importar petróleo de Teerã ou mantêm relações comerciais com bancos iranianos.

A União Europeia adotou mecanismos para permitir que suas multinacionais permaneçam no Irã, mas tudo indica que as sanções terão um efeito dissuasivo.

A construtora Airbus e a energética Total anunciaram sua retirada e os fabricantes europeus de automóveis Daimler e PSA já deixaram o Irã.

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