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Estado de Minas

Democratas são favoritos nas eleições, mas Trump resiste


postado em 04/11/2018 09:09

Será que a "onda democrática" vai prevalecer? O suspense continua nos Estados Unidos, onde o republicano Donald Trump ainda pode evitar o voto de punição nas eleições de meio mandato na próxima terça-feira (6), uma vez que seus adversários não estabeleceram ainda uma ampla vantagem às véspera da votação.

Os republicanos dominam a política em Washington desde 2016: além do magnata na Casa Branca, eles têm uma maioria confortável na Câmara de Representantes e uma pequena vantagem no Senado (51 cadeiras contra 49).

Tudo pode mudar no dia 6 de novembro, quando os 435 assentos da Câmara e um terço do Senado (35 dos 100) estarão em jogo, além de muitas eleições locais.

Após várias manifestações e discursos indignados desde a surpreendente vitória de Donald Trump, esta será a primeira oportunidade para os americanos indignados votarem contra a política do bilionário.

Mas também para todos aqueles que se alegram, satisfeitos com o bom andamento da economia e o pleno emprego, independente de incidentes como os pacotes-bombas e o massacre na sinagoga da Pensilvânia.

"Parece cada vez menos provável que os democratas conquistem o Senado", ressalta David Lublin, professor da American University de Washington.

Se os republicanos conservarem a câmara alta, um procedimento de impeachment contra Donald Trump será - a menos que haja um grande escândalo - condenado ao fracasso, porque é essa assembleia que tem a última palavra.

O presidente também poderá continuar a aprovar suas nomeações, incluindo para a toda-poderosa Suprema Corte, que decide sobre as questões mais importantes da sociedade americana.

"Os democratas estão contando com muitas oportunidades para recuperar a Câmara, mas menos no Senado", diz Kyle Kondik, especialista em política americana na Universidade da Virgínia.

Desde o início da campanha, "a Câmara e o Senado parecem se dirigir a resultados diferentes, o que complica a ideia de uma 'onda azul'", segundo ele.

Se conseguirem recuperar o controle da Câmara, os deputados vão poder lançar investigações parlamentares contra a administração Trump, bloquear leis e o voto do orçamento. O que paralisaria Washington.

- Eleitores democratas mais urbanos -

Com uma avalanche de candidatos democratas, incluindo um número histórico de mulheres, previsões altas de participação e milhões de dólares em financiamento, o entusiasmo levou a crer que a oposição tinha tudo para, pelo menos, recuperar a Câmara.

Neste verão, os democratas chegaram até a sonhar que seu carismático candidato Beto O'Rourke poderá roubar o assento do senador Ted Cruz em um Texas muito republicano.

Mas o ímpeto diminuiu nas últimas semanas, particularmente desde o acrimonioso processo de confirmação do juiz conservador Brett Kavanaugh à Suprema Corte.

O pêndulo está a favor dos democratas. Primeira ocasião para um voto de sanção, estas eleições de meio mandato são tradicionalmente desfavoráveis ao partido do presidente americano. E Donald Trump é particularmente impopular nas pesquisas de opinião.

Na Câmara, os democratas devem conquistar 23 cadeiras se quiserem recuperar a maioria. E isso continua muito provável. O site FiveThirtyEight, uma referência em previsões eleitorais, dá a eles cinco chances de seis, faltando duas semanas e meia para a votação.

Para o Senado, os democratas enfrentam, por coincidência do calendário eleitoral, uma situação muito mais difícil: devem defender 26 dos 35 assentos em jogo, vários em estados que votaram em Donald Trump em 2016.

FiveThirtyEight dá a eles apenas uma chance em cinco. E os republicanos poderiam até fortalecer sua maioria.

Mesmo que os democratas estejam a caminho de ganhar votos, especialmente nos subúrbios residenciais, onde mais eleitores centristas vacilam pelos excessos da Casa Branca, eles estão em desvantagem.

Os eleitores democratas "estão muito concentrados em cidades e áreas urbanas", enquanto "os republicanos estão distribuídos de maneira mais uniforme", diz Lublin.

No entanto, as corridas ao Senado mais apertadas são disputadas principalmente em estados rurais.

- Republicanos revigorados -

Sinal do desafio, Donald Trump têm participado de vários comícios em estados-chave.

Advertindo contra os "democratas radicais", a imigração e economia: o presidente americano martela sua mensagem de campanha diante de torcedores galvanizados.

Sem dúvida: mesmo que seu nome não apareça nas urnas, estará no centro da eleição de 6 de novembro.

"E quando o dia da eleição chegar, os americanos se lembrarão de Kavanaugh", disse nesta quinta-feira em Montana, quando a mobilização dos republicanos foi revigorada pela confirmação do juiz conservador à Suprema Corte no início de outubro, apesar de acusações de agressão sexual.

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