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Estado de Minas

Sobreviventes de massacre na Guiné vão à Justiça contra Vale-BSRG e Estado


postado em 01/11/2018 07:59

Os sobreviventes de um massacre de seis aldeões na Guiné em 2012 prestaram queixa em seu país contra a sociedade das mineradoras brasileira e britânica Vale-BSRG, acusada de cumplicidade, informou nesta quarta-feira (31) a ONG "Les mêmes droits pour tous" ("Mesmos direitos para todos", ou MDT).

Eles também abriram uma ação na Corte de Justiça da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) contra o Estado da Guiné.

No dia 4 de agosto de 2012, perto da meia-noite, as forças de segurança e Defesa dispararam indiscriminadamente contra os aldeões, que protestavam há vários dias contra a política de recrutamento da Vale-BSGR, "assassinando seis habitantes, ferindo diversos outros, incendiando casas e prendendo e torturando outras pessoas", detalhou a ONG.

Em 11 de setembro passado, a associação apresentou uma queixa ao Ministério Público de Nzérékoré em nome das vítimas contra a sociedade mineradora por sua "responsabilidade presumida nos assassinatos, prisões e detenções arbitrários, tortura, destruição de bens privados, etc, contra os habitantes de Zogota".

"Eles chegaram à noite, quando as pessoas estavam dormindo. Nós fomos acordados pelo som de tiros, e quando as pessoas saíram para ver o que tinha acontecido, eles abateram nossos pais e irmãos", declarou o chefe da aldeia e do coletivo de vítimas do massacre, Kpakilé Gnédawolo Kolié, citado em comunicado.

Segundo a o MDT, a mineradora tinha "colaborado estreitamente com as forças de ordem, (...) ajudando a planejar a ação", oferecendo combustível para os carros e colocando outros à sua disposição.

"A polícia e o Exército dizem que foi uma missão de prisão legítima e não um ataque repressor. E a empresa afirma não ter nada a ver com este ataque. Mas essas afirmações não correspondem às provas coletadas no local", avalia o diretor da Advocates for Community Alternatives, Jonathan Kaufman, que apoia o MDT.

A ONG já tinha apresentado uma denúncia contra cinco oficiais dos serviços de segurança em 2013. "Não recebemos nenhuma resposta do Estado da Guiné", disse Kaufman à AFP por e-mail.

As vítimas agora recorreram ao tribunal da Cedeao, em Abuja, na Nigéria. Elas acusam as autoridades de Conacri de "violação do direito à vida, a não ser torturado e a não ser preso arbitrariamente" e de terem fracassado na "obrigação de investigar, perseguir e punir os autores".

Os sobreviventes queixam-se ainda da falta de "reparações às vítimas por crimes cometidos por agentes do Estado ou de outros, como a mineradora Vale-BSGR", explicou Kaufman.

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