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Estado de Minas

Bolsonaro e Haddad, candidatos amados e odiados


postado em 10/10/2018 09:30

Eles estão em lados opostos, mas têm uma coisa em comum: o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro e o representante da esquerda Fernando Haddad, que disputarão no dia 28 de outubro o segundo turno da eleição presidencial no Brasil, foram os mais votados no primeiro turno, mas, por outro lado, também apresentam os maiores índices de rejeição junto aos eleitores.

As razões são diferentes. Bolsonaro, um admirador do regime militar (1964-1985), espanta os democratas, enquanto Haddad, designado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso, como candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), é rejeitado por milhões de brasileiros irritados com a corrupção petista.

Bolsonaro tem a rejeição de setores importantes da sociedade brasileira.

Os negros? "Não fazem nada". Os homossexuais? "Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí". As mulheres? De acordo com ele devem receber um salário menor em consequência da licença-maternidade.

Uma semana antes do primeiro turno, centenas de milhares de mulheres saíram às ruas do país para gritar "Ele Não".

Grupos "anti-Bolsonaro" foram criados no Facebook para denunciar a retórica "fascista" do candidato. "Minha fé não permite apoiar tortura, racismo e xenofobia", escreveu um internauta católico.

E alguns eleitores estão preocupados com o clima social do país no caso de vitória do candidato radical.

"O Bolsonaro não vai matar viado, não vai diminuir mulher, não vai bater em preto com as próprias mãos. Mas o discurso dele vai legitimar outras pessoas a fazerem isso", escreveu a internauta Duda Rodrigues no Twitter.

"É imoral, mas tenho medo sobretudo do vice-presidente, o general (Hamilton Mourão). Uma vez no poder, Bolsonaro poderá contê-lo?", questiona Adriana, de 44 anos.

O general da reserva Mourão fez declarações que chegaram a incomodar o próprio Bolsonaro.

Ele mencionou a convocação de uma assembleia constituinte de "notáveis", sem a eleição popular, afirmou que o Brasil herdou a "indolência" dos indígenas e a "malandragem" dos africanos e vinculou a criminalidade à ausência da figura paterna em muitas famílias.

De acordo com as pesquisas divulgadas um dia antes do primeiro turno, entre 43% e 44% dos eleitores se recusavam a votar em Bolsonaro.

- Qualquer um menos o PT -

Um índice similar, de 36% a 40%, descartava o voto no professor universitário e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

O candidato de Lula é alvo do ódio que o ex-presidente provoca. Desde abril, o líder da esquerda cumpre uma pena de 12 anos e um mês de prisão por uma condenação por corrupção e lavagem de dinheiro.

Para milhões de brasileiros, votar no PT, que governou o Brasil de 2003 a 2016, não é uma opção.

"Quando eles chegaram ao poder, eles tinham um discurso sobre mudança, honestidade, mas eles foram mais corruptos do que os outros", afirma Carlos Augusto Neves.

"Lula começou bem, mais depois perdeu o rumo e se aliou aos piores políticos brasileiros para manter o poder. Enganou toda a população", critica Ronaldo, um executivo do setor bancário que não quis fornecer o sobrenome.

Para explicar este sentimento "é preciso retornar a 2005 e ao escândalo do mensalão, uma rede de compra de votos no Congresso para apoiar as reformas de Lula", explica à AFP o professor de Filosofia Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcos Nobre.

Apesar do escândalo, Lula foi reeleito em 2006. "Deram uma segunda oportunidade. Mas quando a operação Lava Jato surgiu em 2014, parecia claro que o PT não havia modificado suas práticas", destaca.

A investigação contra a corrupção, que provocou a prisão de dezenas de políticos, atingiu quase todos os partidos.

"O PT foi o mais punido, o PT esteve no poder mais tempo. O eleitor que não se beneficiou ou que esqueceu que se beneficiou da era petista (...) identifica o PT sobretudo com um vínculo grande com a corrupção", explica o cientista político Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os analistas consideram que para tentar reduzir o nível de rejeição, Haddad precisa se afastar de Lula. Na primeira entrevista após o primeiro turno, concedida na segunda-feira, não citou o seu mentor, algo inédito na campanha.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou na terça-feira que Lula pediu a Haddad que pare de visitá-lo na prisão, como ele faz todas as segundas-feiras desde que se tornou candidato.


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