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Estado de Minas

Longa espera por resultados de eleições marcadas pela violência em Camarões


postado em 08/10/2018 13:00

Camarões se preparava nesta segunda-feira (8) para uma longa espera, que pode ser de duas semanas, para conhecer os resultados da eleição presidencial deste domingo, marcada por uma alta abstenção e por distúrbios nas regiões de língua inglesa do país.

O presidente Paul Biya, de 85 anos, no poder desde 1982 e aspirante a um sétimo mandato consecutivo, enfrenta sete outros candidatos e aparece como o favorito das eleições, apesar da guerra que se instalou no final de 2017 no Camarões anglófono, depois de mais um ano de crise sociopolítica que degenerou em um conflito armado.

Mas nesta segunda, um dos principais candidatos, Maurício Kamto, reivindicou a vitória contra Paul Biya, alegando ter "marcado o pênalti".

"Recebi a missão de bater a cobrança do pênalti, disparei e marquei", declarou Kamto em coletiva de imprensa. "Recebi do povo um mandato claro que pretendo defender até o final".

Ex-ministro da Justiça e advogado, Maurice Kamto, de 64 anos, é presidente do Movimento para o Renascimento de Camarões (MRC). Ele havia recebido na sexta-feira o apoio de outro forte candidato, Akere Muna, que havia desistido da corrida eleitoral em seu benefício.

Muna esteve presente nesta segunda-feira na coletiva de imprensa convocada por Maurice Kamto, que denunciou "múltiplos casos de fraude orquestrados pelo poder", a quem, no entanto, estendeu a mão: "Meus braços permanecem abertos a eles para trabalhar juntos no renascimento nacional".

Outros candidatos que podem esperar um resultado significativo são Joshua Osih, pela Frente Social-democrata (principal partido da oposição); e Cabral Libii, o caçula das eleições, com 38 anos, e que obteve fortes mobilizações em seus comícios.

Legalmente, o Conselho Constitucional, formado por pessoas próximas ao presidente Biya, é o único habilitado para proclamar os resultados em um prazo de até 15 dias após as eleições.

A alta abstenção e a violência marcaram as eleições presidenciais de domingo no oeste anglófono de Camarões, onde separatistas armados haviam anunciado o desejo de impedir a votação.

Há meses, diariamente, centenas de separatistas armados combatem com violência o exército.

Mais de 175 membros das forças de defesa e segurança do país morreram, assim como 400 civis. Não há balanços disponíveis do lado separatista.

Nas duas regiões anglófonas houve distúrbios durante as eleições de domingo, em que muito poucos eleitores participaram.

Muitas seções eleitorais não conseguiram se instalar em povoados destas regiões por medo de ataques separatistas.

Além disso, na região do Extremo Norte, o exército também combate os extremistas do Boko Haram, que fazem muitos ataques desde 2014 contra a população do país.

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