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Estado de Minas

Referendo sobre casamento gay na Romênia tem resultado incerto


postado em 07/10/2018 12:48

Os opositores à união homossexual tiveram dificuldade neste domingo para mobilizar eleitores romenos no segundo dia do referendo que pretende restringir a noção de casal e serve como teste para a esquerda no poder.

A incerteza sobre o resultado da consulta era total. A taxa de participação chegava a 12% no meio do dia. O mínimo para ser validado é 20% dos 19 milhões de inscritos. Os colégios eleitorais fecham às 15h de Brasília.

Muito romenos são indiferentes ou hostis à consulta que pretende alterar a definição de casamento na Constituição para que apenas "um homem e uma mulher" possam se unir, e não "esposos", como afirma atualmente a Carta Magna.

"É uma enorme mentira e um desperdício de dinheiro. Deveríamos dar a todo mundo a opção de se casar ou não, sem levar em conta a orientação sexual", disse à AFP Ileana Popescu, aposentada, após assistir a uma missa dominical em Bucareste.

O pedido renovado, neste domingo, do patriarca da Igreja Ortodoxa, Daniel, para consentir "um ato de caridade para a família e para o povo" não convenceu Andrei, um empresário, que diz "se recusar a participar deste engodo".

- Discursos homofóbicos -

Do ponto de vista legal, o referendo não vai mudar nada, já que a legislação romena não autoriza nem o casamento, nem a união civil de pessoas do mesmo gênero.

Opositores da consulta criticam uma votação cujo efeito foi deixar a via aberta para discursos homofóbicos.

Contra a corrente da esquerda europeia, os líderes do Partido Social-Democrata romeno tomaram o partido dos defensores da "família tradicional", reunidos em uma "iniciativa cidadã" que promoveu o referendo, com o apoio da Igreja Ortodoxa.

A lei eleitoral foi adaptada para que a consulta durasse dois dias, sábado e domingo, com a esperança de que houvesse mais participação.

A taxa de participação definitiva será publicada na noite deste domingo, mas os resultados só saem na segunda-feira.

Os social-democratas contam com esta consulta para mobilizar a Romênia rural e conservadora, base de seu eleitorado.

O partido, que retornou ao poder no fim de 2016, está passando por um momento delicado por causa das acusações de querer enfraquecer a luta contra a corrupção e controlar a Justiça.

Os membros eleitos do PSD apareciam regularmente com prelados ortodoxos para convocar os romenos a irem às urnas para esta consulta. A campanha teve uma exaltação de valores conservadores e de discursos homofóbicos.

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