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Estado de Minas

Quem são os eleitores de Bolsonaro?

O perfil de seu eleitorado é, em sua maioria, de homens com ensino superior completo, com faixas de renda elevadas, e também evangélicos


postado em 07/10/2018 19:30 / atualizado em 07/10/2018 20:08

51% dos opoiadores ganham mais de cinco salários mínimos(foto: Mauro Pimentel/AFP )
51% dos opoiadores ganham mais de cinco salários mínimos (foto: Mauro Pimentel/AFP )
 

Cansados da crise econômica, dos escândalos de corrupção e de se sentirem inseguros, milhões de brasileiros votam neste domingo (7) no candidato de extrema direita Jair Bolsonaro. 


Entre seus apoiadores de diversas classes sociais, os argumentos se repetem: ele vai impor a ordem e proteger os "cidadãos de bem" da delinquência, vai defender os valores da família tradicional e é um político "honesto", que não está envolvido em escândalos de corrupção.


1. Voto masculino, com diploma e de classe alta


"Bolsonaro se sai melhor entre os eleitores de classe alta e escolaridade elevada do que entre os pobres. E melhor entre os homens que entre as mulheres", aponta o cientista político Jairo Nicolau, baseando-se nas tendências de pesquisas anteriores à eleição.


Entre os eleitores com ensino superior completo, 45% declaram apoio ao candidato do PSL na última pesquisa Datafolha.


Nas famílias com renda inferior a dois salários mínimos, seu apoio é de 25% e se eleva a 51% entre os que ganham mais de cinco salários mínimos.

Entre os eleitores com ensino superior completo, 45% declaram apoio ao candidato do PSL(foto: Fernando souza/AFP)
Entre os eleitores com ensino superior completo, 45% declaram apoio ao candidato do PSL (foto: Fernando souza/AFP)

Nicolau considera Bolsonaro um "verdadeiro fenômeno eleitoral", porque apesar de não conquistar a simpatia do nordeste, mostrou apoio "bem distribuído" em todo o território nacional.


2. Resistência das mulheres?


Cerca de 49% das mulheres brasileiras afirma que nunca votaria nele - reflexo de um acúmulo de comentários machistas, homofóbicos e misóginos proferidos ao longo de sua carreira de deputado.


Apontado no começo da campanha como um nicho de resistência a Bolsonaro, o eleitorado feminino foi, contudo, mostrando-se mais permeável ao ex-capitão do Exército. Sua intenção de voto nesse segmento duplicou ao longo da campanha: passou de 14% em 22 de agosto a 30% neste sábado.


Esta média continua inferior à intenção de voto total para Bolsonaro (36% que chega a 40% de votos válidos, excluindo os votos em branco e nulos).


Através das redes sociais, onde concentrou toda sua campanha após ser esfaqueado, Bolsonaro se coloca como um candidato comprometido com a segurança das mulheres, defendendo porte de arma para elas.


"Independentemente das polêmicas, nós sabemos que é um candidato com ficha [judicial] limpa, e isso vai fazer diferença", disse recentemente à AFP Maria Aparecida, professora de 36 anos, que além da "honestidade" de Bolsonaro, aprecia suas propostas para a segurança.


3- Voto evangélico


Outro segmento em que Bolsonaro cresceu significativamente foi entre os eleitores evangélicos - que representam quase um terço da população brasileira.


Cerca de 26% dos fiéis das igrejas pentecostais e neopentecostais disseram que votariam nele em 22 de agosto. Mas após uma campanha ostensiva dos principais líderes de igrejas a favor de Bolsonaro, a adesão chegou a 42%.


"Bolsonaro é quem defende melhor nossas bandeiras" contra o aborto e a chamada "ideologia de gênero", a defesa da família tradicional e dos "bons costumes", disse à AFP Josimar da Silva, presidente do Conselho de Pastores Evangélicos do Distrito Federal.

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