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Estado de Minas

Chefe da diplomacia americana espera avançar em organização de nova cúpula Trump-Kim


postado em 06/10/2018 09:54

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, declarou neste sábado (6) que espera acelerar a organização de uma segunda cúpula entre Kim Jong Un e Donald Trump, no início de sua visita à Ásia, que será marcada por uma reunião com o líder do norte-coreano.

Pompeo chegou a Tóquio, a primeira etapa de uma turnê que o levará a Pyongyang pela quarta vez, num momento em que um possível acordo histórico entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte parece tomar forma.

Os Estados Unidos e o Japão têm uma "visão totalmente coordenada e unida sobre como proceder, o que será necessário se quisermos desnuclearizar a Coreia do Norte", afirmou Pompeo durante encontro com o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe.

O Japão é historicamente a favor de uma linha dura sobre a Coreia do Norte e insiste em manter a pressão sobre o regime norte-coreano, que disparou, em várias ocasiões, mísseis sobre o território japonês e ameaçou exterminá-lo.

Para o chefe da diplomacia americana, é importante que Washington e Tóquio estejam "totalmente sincronizados" antes de seu encontro com Kim Jong Un.

Abe, por sua vez, pediu "coordenação" entre os dois aliados. Mike Pompeo também disse que discutiria em Pyongyang a questão do sequestro de cidadãos japoneses por agentes norte-coreanos décadas atrás, um assunto que continua muito sensível no Japão.

Falando a repórteres em seu avião a caminho do Japão, Pompeo explicou que seu objetivo era "construir confiança suficiente" com a Coreia do Norte para avançar em direção à paz.

"E também organizaremos a próxima cúpula", disse ele. O primeiro encontro entre Trump e Kim ocorreu em junho em Singapura.

No entanto, Pompeo colocou em perspectiva a possibilidade de um grande avanço: "Duvido que vamos resolver tudo, mas começaremos a desenvolver opções para (estabelecer) o lugar e a data de uma nova reunião entre o presidente Kim e o presidente (Donald Trump)".

As formulações diplomáticas do secretário de Estado são tão cautelosas quanto o entusiasmo de seu presidente, que "se apaixonou" pelo homem forte de Pyongyang depois de anunciar o rápido fim da ameaça nuclear norte-coreana.

Mas para Mike Pompeo, as apostas são altas: no início de julho, sua viagem anterior foi um fracasso, e outra viagem teve que ser cancelada no final de agosto em razão do impasse nas negociações.

Desde então, Kim Jong Un prometeu o desmantelamento de um sítio balístico na presença de inspetores estrangeiros e, especialmente, o fechamento de seu complexo nuclear de Yongbyon, desde que Washington tome "medidas correspondentes".

- Acordo detalhado -

Essas primeiras ações concretas - bem como cartas julgadas "magníficas" e "extraordinárias" pelo presidente Trump - permitiram retomar o diálogo.

Resta saber se isso será suficiente para transformar os vagos compromissos do líder norte-coreano em um acordo detalhado sobre a "desnuclearização definitiva e totalmente comprovada" que Washington exige.

Mike Pompeo se recusa a comentar sobre as diferentes opções na mesa e garante que as discussões ocorrem nos bastidores.

Mas as grandes linhas de um acordo estão começando a surgir.

A Coreia do Sul, na linha de frente desde o início do degelo diplomático que tornou possível virar a página de um ano de 2017 pontuado por trocas de xingamentos e ameaças atômicas, apresentou publicamente sua proposta.

Para Seul, os americanos devem respeitar uma demanda fundamental dos norte-coreanos em troca do desmantelamento das instalações nucleares de Yongbyon, central em seu programa nuclear: uma declaração formal encerrando a Guerra da Coreia, que terminou em 1953 com um simples armistício.

Depois de Tóquio e Pyongyang, Pompeo visitará a Coreia do Sul, cujo presidente, Moon Jae-in, serviu como emissário entre as duas partes.

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