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Estado de Minas

Brasileiros vão às urnas no domingo para definir o destino de sua democracia

O eleito irá comandar a maior economia da América Latina, sucedendo Michel Temer, o presidente mais impopular desde 1985


postado em 05/10/2018 10:06 / atualizado em 05/10/2018 10:43

(foto: NELSON ALMEIDA / AFP Daniel RAMALHO / AFP)
(foto: NELSON ALMEIDA / AFP Daniel RAMALHO / AFP)
 

Mais de 147 milhões brasileiros estão habilitados a votar, no próximo domingo (7), no primeiro turno de uma eleição presidencial que pode colocar a maior economia da América Latina sob o comando de  Jair Bolsonaro, aclamado por seus admiradores como "o salvador da pátria".


Pesquisas de opinião preveem um segundo turno em 28 de outubro entre o deputado federal e capitão da reserva do Exército, candidato do PSL, e o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação Fernando Haddad, do PT.


Quem for eleito vai suceder Michel Temer, o presidente mais impopular desde a restauração da democracia em 1985, e terá como missão recompor a credibilidade do Estado depois de anos de crise econômica, violência endêmica e escândalos de corrupção.


Bolsonaro, de 63 anos, e Haddad, de 55, são ao mesmo tempo os candidatos com maior intenção de voto e com maior índice de rejeição, em uma demonstração das paixões que agitam o país e deixam pouco espaço aos candidatos de centro.


A última pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (4), atribui 35% das intenções de voto a Bolsonaro contra 22% para Haddad; enquanto Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) gravitam em torno dos 10%.


Os dois favoritos aparecem empatados nas simulações para o segundo turno.


Mas alguns analistas avaliam que Bolsonaro poderia vencer no primeiro turno, caso setores da classe média decidam emitir um "voto útil" para evitar que a esquerda volte ao poder.


Os eleitores "vão acabar tendo que votar muito mais por medo ou por raiva do outro lado do que propriamente por convicção. Então, eu antevejo um segundo turno ainda mais radical, com perspectiva até de violência", afirma Geraldo Monteiro, cientista político da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).


As pesquisas, no entanto, estão longe de ser infalíveis, afirma Monteiro, lembrando que em 2014 muitos estudos previam que o tucano Aécio Neves seria eliminado no primeiro turno, embora tenha passado para o segundo turno, que perdeu para Dilma Rousseff, do PT.


Agora, tanto Alckmin quanto Ciro apostam em surpresa semelhante.

 

Uma campanha entre a prisão e o hospital

 

Haddad teve uma ascensão fulgurante desde que foi nomeado em 11 de setembro para substituir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, favorito absoluto até ter sua candidatura invalidada pela Lei da Ficha Limpa. O ex-presidente cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.


A campanha foi sacudida, também, pelo atentado sofrido por Bolsonaro em 6 de setembro, quando foi esfaqueado no abdômen durante um comício em Juiz de Fora, Minas Gerais. Embora não tenha podido participar de novos atos políticos, seguiu presente nas redes sociais e aumentou substancialmente nas pesquisas.


Sua popularidade também sobreviveu, e inclusive aumentou, depois das maciças manifestações de mulheres que no sábado passado denunciaram o histórico de declarações misóginas, racistas e homofóbicas deste admirador da ditadura militar (1964-85).


Apesar de se apresentar como candidato do pequeno Partido Social Liberal (PSL), Bolsonaro recebeu esta semana o apoio da poderosa bancada ruralista no Congresso, de importantes setores evangélicos e de meios empresariais que apostavam antes em Alckmin.


Sua receita se baseou em propostas simples para combater problemas profundos, com o lema de sua campanha: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".


Se chegar ao poder, ele prevê flexibilizar o porte de armas para enfrentar a violência que deixa a cada ano mais de 60.000 mortos; prosseguir com o atual programa de austeridade para recuperar a confiança dos investidores depois de dois anos de recessão e dois de frágil crescimento; e defender os "valores tradicionais" para combater a "ideologia de gênero" na educação.


Haddad, ex-ministro da Educação de Lula, promete voltar aos anos de glória do líder do PT, quando os planos de inclusão social e uma economia próspera permitiram tirar mais de 30 milhões de brasileiros da extrema pobreza.


Mas desde então, as coisas se complicaram para o PT.


Em 2016, Dilma, herdeira política de Lula, foi deposta pelo Congresso, acusada de manipulação de contas públicas. E em abril deste ano Lula foi para a prisão.


A condenação do ex-presidente ocorreu no âmbito da Operação Lava Jato, que desvendou um gigantesco esquema de propinas pagas por empreiteiras a políticos de quase todos os partidos em troca de contratos com a Petrobras.


Os escândalos respingaram até no presidente Temer, mas a Câmara dos Deputados bloqueou o avanço das investigações, que poderiam ser retomadas quando ele perder sua imunidade, em 1º de janeiro de 2019.


Estas são as oitavas eleições realizadas no País desde o retorno à democracia, com a particularidade de que agora é a própria democracia que se vê questionada por milhões de eleitores decepcionados.

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