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Estado de Minas

Artigos enganosos nos EUA questionam falta de rigor de publicações


postado em 04/10/2018 20:18

Três acadêmicos dos Estados Unidos conseguiram publicar, em várias revistas de sociologia, artigos de pesquisa totalmente inventados e com conclusões ridículas para demonstrar, disseram, a falta de rigor e o viés ideológico de muitas revistas deste tipo.

Sete dos 20 artigos escritos pelo trio foram aceitos por revistas, superando o temido obstáculo dos comitês de leitura que supostamente devem verificar o rigor acadêmico dos artigos.

"Os parques para cães são placas de Petri para a cultura do estupro canino", afirma Helen Wilson, autora fictícia de um estudo publicado em maio na revista Gender, Place & Culture, que sugere que adestrar os homens como se faz com os cachorros poderia reduzir o abuso sexual (humano).

Este novo artifício teve alguns ruidosos precedentes, em particular o de Alan Sokal em 1996, conhecido como o caso Sokal, no qual este físico publicou um artigo pseudocientífico na reputada revista Social Text explicando como a gravidade quântica era uma criação social.

Desta vez, os falsos artigos têm em comum o estudo de temas sociais sensíveis como gênero, racismo e sexualidade.

Os autores, três pesquisadores que assinaram os trabalhos com pseudônimos, pretendiam demonstrar que a comunidade acadêmica nestes campos estava disposta a aceitar qualquer tese se esta contribuía para denunciar a dominação dos homens brancos.

"Quando fazemos com que as ideias absurdas e horríveis se ajustem suficientemente à moda política, as validamos ao mais alto nível", afirma James Lindsay, que obteve um doutorado em matemática em 2010 da Universidade de Tennessee e se dedicou completamente a este projeto durante um ano e meio.

Um dos artigos analisa porque um homem que se masturba enquanto pensa em uma mulher sem seu consentimento comete uma agressão sexual. Outro é uma versão feminista de um capítulo de "Minha luta", de Adolf Hitler.

Alguns artigos afirmam que se baseiam em dados, como entrevistas, o que em teoria seria verificável. Este foi o caso de um estudo sobre o uso de consolos anais por homens heterossexuais e o efeito consequente em sua transfobia. Os autores afirmaram ter feito entrevistas com 13 homens.

No estudo sobre cães, os autores afirmaram ter examinado os genitais de cerca de 10.000 animais.

"Se nosso projeto demonstra algo, é que não podemos confiar na pesquisa atual nestas disciplinas", diz James Lindsay. Mas o propósito do projeto, segundo ele, é "reformar" estas disciplinas, não destruí-las.

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