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Estado de Minas

Europeus tentam contornar sanções americanas contra o Irã


postado em 15/09/2018 10:24

Os europeus contemplam a possibilidade de instaurar um circuito comercial alternativo, uma espécie de escambo em grande escala, para contornar as sanções dos Estados Unidos e permitir que o Irã continue exportando petróleo.

Alemanha, França e Reino Unido poderiam, assim, criar um instrumento especial (Special purpose vehicle - SPV), que atue como uma bolsa de trocas que permitiria tratar de maneira isolada as transações comerciais com o Irã, informaram na sexta-feira dois meios de comunicação alemães, o jornal Der Spiegel e o econômico Handelsblatt.

Se, por exemplo, o Irã vende petróleo para uma empresa espanhola, e um fabricante alemão de máquinas-ferramenta entrega material para uma fábrica em Teerã, a soma correspondente à entrega do petróleo serviria diretamente para pagar o fornecedor alemão.

"É um escambo sofisticado. O comprador paga direitos de compensação que dão (ao Irã) o direito de compra de bens de primeira necessidade", confirmou um responsável francês de alto escalão à AFP em anonimato, detalhando que terceiros países como China e Índia poderão se associar.

A opção está sendo considerada por outros países e pretende criar "canais de pagamento independentes" com o Irã, indicou à AFP, por sua vez, uma porta-voz do Ministério alemão das Finanças.

O presidente americano, Donald Trump, se retirou em maio do acordo nuclear internacional com o Irã, pelo qual Teerã prometeu limitar suas capacidades nucleares em troca do alívio das sanções econômicas.

- 'Meios técnicos' -

Desde então, Washington restabeleceu uma série de sanções contra as empresas ou países estrangeiros que continuassem a fazer negócios com Teerã. Sob esta ameaça, muitos grupos (Total, Daimler...) presentes nos Estados Unidos interromperam qualquer atividade com o Irã por medo de represálias.

Em 4 de novembro, uma nova onda de sanções afetará diretamente as exportações iranianas de petróleo e as operações bancárias com este país, que será, de fato, desconectado dos circuitos financeiros internacionais.

O Irã tem a quarta reserva mundial de petróleo e muitos países, especialmente na Ásia, precisam do petróleo iraniano, levando em conta, além disso, que suas refinarias são projetadas para tratar essa variedade de petróleo.

Os europeus, ao criarem essa bolsa de intercâmbios, poderiam "reduzir os pagamentos transfronteiriços com saída ou destino do Irã", segundo um documento da Comissão Europeia citado pelo Handelsblatt. Os bancos internacionais, muito expostos ao risco americano, ficariam à margem das transações.

"Para nós, a questão é encontrar os meios técnicos para que o Irã possa continuar importando e exportando, apesar das sanções americanas e sem que os operadores europeus sejam sancionados", resumiu um diplomata europeu.

França, Alemanha e Reino Unido estão decididos a proteger o acordo nuclear de 2015 com o Irã - assinado com a Rússia e a China - a fim de evitar o desenvolvimento de programa iraniano, que poderia desencadear uma corrida por armas atômicas na região.

- Questão de soberania -

Também veem com preocupação o enfraquecimento do presidente iraniano, Hasan Rohani, grande defensor do acordo, mas que por enquanto não colheu os benefícios econômicos esperados.

"As medidas adotadas por Washington (...) poderiam reforçar os elementos mais duros do regime", advertiu o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian.

"Washington acredita que essas pressões podem provocar uma mudança de atitude do regime, inclusive (uma mudança) do próprio regime, mas não acreditamos nisso", acrescentou em uma entrevista no final de agosto no semanário francês L'Express.

Os europeus também denunciam igualmente, por meio das sanções americanas, um ataque a sua soberania e aos seus interesses econômicos, e não apenas no Irã.

Berlim teme especialmente que as sanções de Washington contra a Rússia afetem a indústria alemã nesse país.

Dadas essas ameaças, "devemos reagir e reforçar a autonomia e a soberania da Europa em questões comerciais, econômicas e financeiras", insistiu o chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas.

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