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Estado de Minas

'Zero', o objetivo mais ambicioso da batalha climática


postado em 13/09/2018 21:30

Zero energia fóssil, zero carros a gasolina, zero resíduos: a eliminação total das emissões de gases de efeito estufa é o objetivo, distante mas oficial, adotado por um grande número de cidades e territórios reunidos nesta quinta-feira (13) na cúpula sobre o clima de San Francisco.

Europa, Ásia, América, África e Oceania estão representadas na Cúpula Mundial de Ação Climática, que começou na quarta-feira em San Francisco e reúne, de uma forma sem precedentes, prefeitos e governadores em vez de chefes de Estado e de Governo.

Nesta cúpula de tom voluntarista, a voz do ator americano Harrison Ford destacou-se pelo alarmismo. "Deixemos, pelo amor de Deus, de denegrir a ciência, deixemos de dar poder àqueles que não acreditam na ciência ou que pretendem não acreditar por interesse", disse em um forte discurso a milhares de pessoas no centro de San Francisco. "É a maior crise moral de nosso tempo".

A China enviou a maior delegação do encontro, segundo Jerry Brown, governador da Califórnia. Xie Zhenhua, negociador para o clima desse país, disse a jornalistas nesta quinta-feira que o país atingirá seu pico de emissões antes de 2030, e a partir de então estas começarão a diminuir.

Entre as cidades pioneiras, Copenhague é a mais ambiciosa, a primeira a buscar atingir emissões zero em apenas sete anos, um verdadeiro desafio levando em conta que a prefeitura não tem os meios legais para restringir o acesso de automóveis poluentes às suas ruas, disse à AFP o prefeito Frank Jensen.

Los Angeles prometeu eliminar o carvão até 2025 e pretende atingir o "carbono zero" em algumas décadas, assim como muitas outras cidades americanas e europeias.

"O novo limiar é chegar a um equilíbrio de carbono neutral", afirmou Eric Garcetti, prefeito de Los Angeles.

"Seria um erro estabelecer objetivos só para dois ou três anos", disse seu homólogo de Milão, Giuseppe Sala. "É necessário se comprometer com 'zero', mesmo se isso estiver longe".

O motivo do encontro é salvar o Acordo de Paris de 2015, embora o único a anunciar até agora sua retirada tenham sido os Estados Unidos. Os demais países signatários adotaram compromissos insuficientes para limitar o aumento de temperatura do planeta a um nível que não represente um perigo.

As catástrofes deixaram de ser o argumento central para mobilizar as pessoas, apesar de que o furacão Florence ameaça a costa leste dos Estados Unidos e o tufão Mangkhut, as Filipinas.

- A sombra de Trump -

Tóquio, Seul e Roterdã se uniram assim a Paris, Londres, Barcelona, Cidade do México e outras urbes no compromisso de ter 100% de ônibus elétricos em 2025, e reduzir a "zero" as emissões em uma "zona significativa" de seus territórios até 2030.

Para Helen Clarkson, diretora da ONG The Climate Group, estes compromissos "abrem uma nova fronteira para a indústria automotora mundial".

Outras cidades, regiões, províncias ou estados americanos estão dispostos a produzir eletricidade livre de combustíveis fósseis e neutra em carbono, como a Califórnia até 2045. Isto não significa necessariamente energia 100% renovável; pode se tratar de energia nuclear e gás natural, com a condição de que capturem as emissões de carbono.

Uma centena de grandes cidades do clube C40, presidido pela prefeita de Paris, Anne Hidalgo, se comprometeram a ser completamente neutras em carbono até 2050: isto inclui não só a eletricidade, mas também o transporte e o resto da economia.

Um total de 27 grandes cidades da Europa e América do Norte, entre elas Londres, Paris e Nova York, começaram o declínio na curva há ao menos cinco anos, segundo um anúncio feito nesta quinta na cúpula.

Tóquio não faz parte deste grupo devido ao desastre de Fukushima em 2011, que obrigou o país a substituir as usinas de energia nuclear por combustíveis fósseis.

As megalópoles do planeta, nos países em desenvolvimento, tampouco estão nesse grupo, visto que seu crescimento ainda se apoia principalmente nos hidrocarbonetos. O "pico" só é esperado para, ao menos, a próxima década. Os prefeitos destas regiões quase não estão presentes nesta cúpula.

As multinacionais, por outro lado, participam deste movimento. Muitas assinaram contratos para usar só eletricidade "limpa", ou anunciaram publicamente que conseguirão isto em poucos anos ou décadas, em alguns casos em toda a sua rede de fornecedores.

"Embora os holofotes estejam sobre Washington, a ação se desenvolve, na realidade, fora da capital federal", disse o bilionário Michael Bloomberg, um dos organizadores da cúpula.

Assim como ele, muitos dirigentes em San Francisco afirmam que as decisões ambientais do presidente republicano, Donald Trump, não vão deter o avanço em questões climáticas.

Mas ao mesmo tempo, Trump continua sendo constantemente acusado de cometer crimes contra o planeta.

"Pelo caminho que vai, acredito que será lembrado como um mentiroso, um criminoso, um estúpido, escolham vocês", disse Jerry Brown.

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