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Estado de Minas

Trump nega balanço de 3 mil mortes em Porto Rico causadas pelo furacão Maria


postado em 13/09/2018 14:54

O presidente americano, Donald Trump, negou nesta quinta-feira o balanço oficial de 3.000 mortos pela passagem do furacão Maria por Porto Rico, há um ano, afirmando que o número foi inflado pelos democratas para prejudicá-lo, provocando indignação na ilha.

Cerca de "3.000 pessoas não morreram nos dois furacões que atingiram Porto Rico. Quando eu deixei a ilha, DEPOIS que a tempestade tinha atingido, havia entre seis e 18 mortos", tuitou.

O governo de Porto Rico elevou há duas semanas o balanço de vítimas fatais do furacão de 64 para 2.975 pessoas.

"À medida que o tempo foi passando, não subiu muito. Depois, muito tempo depois, então começaram a informar números realmente muito altos, como 3.000", destacou Trump.

"Isto foi feito pelos democratas para me fazer ficar o pior possível quando eu estava arrecadando com sucesso bilhões de dólares para ajudar a reconstruir Porto Rico", completou.

A prefeita de San Juan, Yulín Cruz, a quem na quarta-feira Trump chamou de "incompetente", respondeu em duros termos ao questionamento dos números.

"Negar nossos mortos não tem perdão", escreveu no Twitter. "Maldito seja, isso não se trata de política, sempre foi uma questão de SALVAR VIDAS!".

O governador da ilha, Ricardo Rosselló, denunciou que os porto-riquenhos são tratados como "cidadãos de segunda classe".

"Eu tenho que dizer que nem o povo de Porto Rico nem as vítimas merecem que sua dor seja questionada", declarou em entrevista À CBSN. "Não é hora de lutar, fazer barulho político, usar esse tipo de coisa para tirar vantagem", indicou em um comunicado.

O senador democrata Bob Menéndez saiu em defesa das vítimas: "O presidente Trump brinca com a dor de nossos compatriotas em Porto Rico e continua a desprezá-los".

Esta semana, no momento em que o furacão Florence se aproxima da costa leste dos Estados Unidos, o presidente americano felicitou seu governo pela resposta "incrível" à emergência do furacão Maria no ano passado.

Durante as semanas que se seguiram ao furacão de 20 de setembro de 2017, Trump foi muito criticado por sua falta de ação diante do desastre generalizado na ilha, que ficou sem telecomunicações por semanas e sem energia elétrica em grande parte de seu território por meses.

Esta semana, as autoridades da ilha, um estado livre associado aos Estados Unidos, reagiram a Trump.

O governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló, questionou as declarações de Trump e lamentou que os habitantes da ilha não tenham os mesmos direitos dos americanos do continente.

"Nenhuma relação entre uma colônia e o governo federal pode ser qualificada de bem-sucedida enquanto os porto-riquenhos carecem de certos direitos inalienáveis de que gozam nossos compatriotas nos Estados Unidos", afirmou Rosselló em um comunicado.

A prefeita de San Juan, Yulín Cruz, também protestou.

"Um sucesso? A resposta federal em Porto Rico segundo Trump foi um sucesso? Se ele pensa que a morte de 3 mil pessoas é um sucesso, que Deus nos ajude", afirmou a prefeita.

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