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Estado de Minas

EUA e Canadá retomam diálogo sobre Nafta com alerta de Trudeau


postado em 11/09/2018 19:06

Funcionários do Canadá e dos Estados Unidos retomaram nesta terça-feira a renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), com elogios à boa vizinhança e um alerta do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau.

O Nafta, em vigor desde 1994 entre Estados Unidos, Canadá e México, está em revisão há mais de um ano, a pedido do presidente americano, Donald Trump, que o considera "um desastre" para o seu país.

Trump, que já informou ao Congresso sua intenção de assinar um acordo de livre-comércio com o México em 30 de novembro, incluindo o Canadá, se possível, ameaçou Ottawa de impor novas tarifas sobre as importações de carros canadenses se eles não alcançarem um acordo.

Trudeau disse nesta terça-feira que algo assim seria "devastador" para a indústria automobilística canadense, mas também para a americana, porque "poderia causar demissões em massa".

"Obviamente, temos de estar atentos ao que o presidente (Trump) contempla. Mas nós não vamos negociar de forma diferente por causa de táticas de pressão como essa. Continuamos focados no que é do interesse dos canadenses e de nossos trabalhadores e nossa economia" , disse ele a uma estação de rádio do Canadá.

"Vamos continuar trabalhando construtivamente em um acordo bom para os dois, que sabemos que é possível", acrescentou o primeiro-ministro.

Na Casa Branca, Trump disse à imprensa que o diálogo com o Canadá está "indo bem".

"Todos nós estivemos negociando de boa-fé", disse ele, depois de declarações explosivas suas sobre o país vizinho interromperem abruptamente o diálogo, dias atrás.

A chanceler canadense Chrystia Freeland retornou a Washington nesta terça para se reunir com o representante comercial americano, Robert Lighthizer, e aproveitou o 17º aniversário dos ataques de 11 de setembro para destacar a importância do relacionamento bilateral.

"Acho que lembrar o que aconteceu hoje pode nos ajudar a colocar as negociações em perspectiva e colocar em perspectiva a importância e o alcance do relacionamento entre os Estados Unidos e o Canadá", disse ela à imprensa.

"No fim das contas, somos vizinhos, e vizinhos se ajudam quando são necessários", acrescentou.

Após sua primeira reunião com a Lighthizer, Freeland disse que o ambiente de trabalho é "bom, profissional e com boa vontade de ambos os lados", mas reiterou que seu governo só assinará um acordo que sirva ao Canadá.

A embaixadora dos Estados Unidos no Canadá, Kelly Craft, também destacou a ligação entre os dois países em um discurso em Gander, Newfoundland, para onde dezenas de voos foram desviados após os ataques de 2001 devido ao fechamento do espaço aéreo americano.

"Esqueça o que você leu sobre as negociações do Nafta e as brigas no Twitter. Não é isso que somos", disse Craft.

O Nafta "é importante, mas Gander, em um instante, ilustra a relação entre o Canadá e os Estados Unidos", disse ela.

Freeland, que planeja voltar ao Canadá nesta terça, participará de uma reunião de deputados liberais em Saskatoon na quarta e quinta-feira.

Não se sabe se ela voltará a Washington na sexta-feira para continuar as negociações, que devem ser concluídas antes de 30 de setembro - prazo para apresentar o novo Nafta ao Congresso americano.

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