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Estado de Minas

Centenas de detidos na Rússia em protestos contra reforma da Previdência


postado em 09/09/2018 17:54

Centenas de pessoas foram detidas neste domingo durante manifestações contra a impopular reforma da Previdência, convocadas pelo opositor preso Alexei Navalny no mesmo dia em que se realizavam eleições locais e regionais na Rússia.

A polícia prendeu ao menos 830 pessoas em todo o país, principalmente em São Petersburgo e Ekaterina, na zona dos Urais, de acordo com a organização OVD-Info, especializada no acompanhamento das prisões.

Em Moscou, ao menos 2.000 pessoas se reuniram na praça Pushkin, no centro da capital, constatou um repórter da AFP. Em São Petersburgo, cerca de mil pessoas foram às ruas.

"O poder levou tudo, até a última migalha. Minha mãe e meu marido vão trabalhar durante muito tempo. É a gota d'água", disse à AFP Tatiana Rechetskaia, uma manifestante moscovita de 21 anos.

"Gastamos dinheiro para os militares na Síria, na Ucrânia, para os amigos do presidente, mas nada para os aposentados", lamentou Olga Tchenusha, de 44 anos.

As autoridades russas enfrentam há meses um descontentamento pelo projeto do governo de aumentar a idade de aposentadoria, sem mudanças em quase 90 anos.

O presidente Vladimir Putin, que no início se afastou do projeto, finalmente o apoiou e propôs no fim de agosto flexibilizar a reforma. Seu anúncio em meados de junho, no dia do início da Copa do Mundo de futebol, fez sua popularidade cair.

As manifestações deste domingo foram convocadas pelo principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, que cumpre uma pena de 30 dias de prisão por uma manifestação organizada em janeiro. Dezenas de seus partidários foram detidos nos últimos dias.

Pressionada por Moscou, a empresa americana Google retirou do YouTube, no sábado, as convocatórias para as manifestações publicadas pela equipe de Navalny, com o argumento, segundo as autoridades russas, de que violavam o período de proibição de propaganda antes de uma eleição.

- Oposição 'tolerada' -

Os protestos ocorreram enquanto os russos votavam em eleições locais e regionais, para governador, deputados locais e outros cargos regionais.

A votação mais simbólica deste domingo será a de Moscou, onde espera-se que o atual prefeito, Serguéi Sobianin, seja reeleito diante da falta de uma oposição real e do apoio do Kremlin e do partido no poder, Rússia Unida.

O verdadeiro indicador nestas eleições será a participação, depois de que as autoridades municipais da capital russa multiplicaram as medidas para incitar os habitantes a comparecerem às urnas, com iniciativas como jogos e barracas de comida na saída dos locais de votação.

Pela primeira vez, os moscovitas estavam autorizados a votar a partir de suas casas de campo, muito frequentadas nesta época do ano. Ainda assim, prevê-se que a taxa de participação seja de cerca de 30%, segundo uma pesquisa do centro público VTsIOM.

A taxa de participação em Moscou chegava a 28% duas horas antes do fechamento das urnas, segundo a Comissão eleitoral.

Sobianin, de 60 anos e impulsionado em 2010 pelo Kremlin à liderança da capital russa, com mais de 12 milhões de habitantes, pode se gabar de ter melhorado a cara de Moscou, graças a gigantescas e custosas reformas urbanísticas.

Mas, para seus opositores, a multiplicação de zonas de pedestres e a abertura de estações de metrô e de um novo parque no centro da cidade não são mais que fachada, medidas dirigidas à classe média que durante o inverno de 2011-2012 se manifestou contra a volta de Putin ao Kremlin.

Nas últimas eleições municipais em Moscou, há cinco anos, Navalny quase passou a um segundo turno contra Sobianin. Para evitar tal cenário, só foi permitido aos membros da oposição "tolerada", comunistas ou nacionalistas, apresentarem suas candidaturas.

O conselheiro municipal da oposição, Ilia Iashin, próximo ao opositor assassinado Boris Nemtsov, o ex-deputado da oposição Dimitri Gudkov, ou o ativista gay Anton Krassovski não puderam se apresentar por não cumprirem as exigências legais.

Assim como Putin na última campanha para a eleição presidencial, Sobianin não participou de nenhum debate.

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