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Estado de Minas

Plano britânico para Brexit é um 'colete de explosivos', diz Boris Johnson


postado em 09/09/2018 13:00

O plano de Theresa May sobre as relações comerciais após o Brexit põe "um colete de explosivos" no Reino Unido, cujo detonador está nas mãos da União Europeia (UE) - afirmou neste domingo (9) o ex-ministro britânico das Relações Exteriores Boris Johnson, deixando em evidência as divisões entre os conservadores.

Johnson deixou o governo em julho por discordar do plano proposto pela primeira-ministra conservadora, que prevê manter uma relação comercial estreita entre o Reino Unido e a UE após o Brexit, previsto entrar em vigor a partir de 29 de março.

Com estas propostas, a chefe de governo provocou a irritação dos partidários de um Brexit "puro e duro", mas também o ceticismo dos dirigentes da UE, que puseram em dúvida a viabilidade deste plano.

"Colocamos um colete de explosivos na Constituição britânica e entregamos o detonador a Michel Barnier", o negociador da UE para o Brexit, afirmou Johnson em um artigo de opinião publicado no jornal "Mail on Sunday".

Johnson lamentou que o Reino Unido adote uma atitude de obediência cega à UE.

"Até agora, em cada etapa das discussões, Bruxelas obtém o que Bruxelas quer. Aceitamos o calendário da UE. Aceitamos entregar 39 bilhões de libras, sem obter nada em troca", lamentou, fazendo referência à fatura por sair da UE.

"Agora com a proposta (de May) estamos dispostos a aceitar suas regras - para sempre - sem poder dizer nada sobre elas", afirmou.

"É uma humilhação", acrescentou.

Boris Johnson qualificou, ainda, de "totalmente inaceitável" a solução de "rede de segurança" ("backstop"), que manteria a província britânica da Irlanda do Norte dentro da união alfandegária e do mercado único europeu, na falta de outra solução para impedir o restabelecimento de controles fronteiriços com a Irlanda, membro da UE, após o Brexit.

Estas declarações criaram agitação entre seus correligionários, os conservadores. O secretário de Estado para Assuntos Europeus, Alan Duncan, estimou no Twitter que consistem em "um dos momentos mais lamentáveis da política moderna britânica" e selam "o fim político de Boris Johnson".

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